Mulher que fingia ser adolescente de 12 anos vira ré por estelionato após enganar famílias em vários estados
Investigada está presa em Santa Catarina e é acusada de assumir identidades falsas para obter abrigo, assistência e ajuda financeira
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A Justiça de Santa Catarina aceitou a denúncia do Ministério Público e tornou ré Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, acusada de se passar por uma adolescente de 12 anos para enganar famílias e instituições de acolhimento em diferentes estados do país.
A decisão foi tomada nesta terça-feira (9). Amanda responde pelos crimes de estelionato e falsa identidade e está presa desde o último dia 2. Segundo as investigações, ela teria aplicado golpes semelhantes em Santa Catarina, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e Ceará.
De acordo com a denúncia, Amanda se aproximou de uma família no distrito de Pirabeiraba, em Joinville, alegando ter experiência em panificação e interesse em conseguir trabalho. Com o passar do tempo, passou a relatar dificuldades pessoais e acabou sendo acolhida pelos moradores.
Segundo o Ministério Público, posteriormente ela passou a se apresentar como uma criança em situação de vulnerabilidade, o que levou a família a continuar oferecendo moradia, alimentação e outros cuidados.
A farsa começou a ruir quando parentes dos anfitriões encontraram informações que levantaram dúvidas sobre a identidade da mulher.
Exame de sanidade foi marcado
Ao receber a denúncia, a Justiça determinou a citação da acusada para apresentação de defesa. Também foi agendada para o dia 26 de junho uma perícia psiquiátrica que integra um incidente de insanidade mental, processo que tramita sob sigilo.
Histórico de golpes em vários estados
As investigações apontam que Amanda já havia utilizado histórias semelhantes em diferentes regiões do país.
Em 2022, ela procurou o Conselho Tutelar de São Paulo afirmando ser uma adolescente vítima de abusos. A versão levou ao seu acolhimento em um abrigo para menores, mas ela deixou o local antes de ser encaminhada para reencontrar familiares.
Posteriormente, em Registro (SP), voltou a alegar ter 12 anos e relatou supostos casos de exploração sexual e violência. Durante a apuração, acabou admitindo que as histórias eram inventadas para conseguir abrigo e assistência.
Após passar por outras cidades paulistas, Amanda chegou a Jundiaí utilizando o nome de "Ana Clara dos Santos Oliveira". Novamente afirmou ser uma adolescente e recebeu atendimento da rede de proteção à infância.
As suspeitas surgiram quando profissionais identificaram inconsistências entre sua aparência física, comportamento e os relatos apresentados.
Exame revelou idade real
A descoberta ocorreu após um exame de idade óssea indicar que a suposta adolescente tinha mais de 18 anos. A partir daí, a Polícia Civil cruzou informações com registros de ocorrências semelhantes em outros estados e confirmou sua verdadeira identidade.
Pelos fatos ocorridos em Jundiaí, Amanda chegou a ser indiciada por falsidade ideológica e comunicação falsa de crime. No entanto, o processo acabou suspenso após ela não ser localizada pela Justiça.
Agora, além das acusações em São Paulo, ela também responde na Justiça catarinense pelas novas denúncias relacionadas ao caso de Joinville.