TSE vai analisar decisão que suspendeu pesquisa sobre Flávio Bolsonaro
Levantamento da AtlasIntel apontava queda nas intenções de voto do senador; caso será avaliado pelo plenário da Corte Eleitoral
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) deve analisar nos próximos dias a decisão do ministro Kassio Nunes Marques que suspendeu a divulgação de uma pesquisa eleitoral realizada pelo instituto AtlasIntel em parceria com a Bloomberg. O levantamento, divulgado em maio, apontava queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), apontado como pré-candidato à Presidência da República.
A medida foi tomada após uma ação apresentada pelo Partido Liberal (PL), que questionou a metodologia utilizada pelo instituto e alegou possível direcionamento das respostas dos entrevistados.
Ao conceder a liminar, Kassio Nunes Marques afirmou ter identificado indícios de comprometimento metodológico na pesquisa, especialmente pela inclusão de conteúdos relacionados a investigações envolvendo o senador e pela formulação de perguntas que poderiam influenciar a percepção dos entrevistados.
“Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada”, destacou o ministro na decisão.
Segundo o magistrado, a controvérsia ultrapassa uma simples divergência técnica sobre metodologia e levanta dúvidas sobre a possibilidade de utilização do questionário como instrumento de indução das respostas.
Na decisão, Kassio também observou que, ao analisar outras pesquisas registradas pela AtlasIntel junto ao TSE, não encontrou questionários com estrutura semelhante à utilizada no levantamento contestado. O ministro destacou ainda a utilização de áudios durante a pesquisa, recurso que, segundo ele, não apareceu em outros estudos realizados pelo instituto.
O Partido Liberal sustenta que a pesquisa foi estruturada de forma a criar uma percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro e classificou o levantamento como potencialmente fraudulento.
A decisão provocou reação do CEO da AtlasIntel, Andrei Roman. Em publicação nas redes sociais, o executivo defendeu a credibilidade da empresa e afirmou que o instituto continuará atuando normalmente.
Segundo Roman, a AtlasIntel já enfrentou críticas de diferentes espectros políticos em diversos países e construiu sua reputação com base em resultados consistentes.
“Quando mostramos Bolsonaro e Trump fortes em 2022, fomos atacados pela esquerda. Quando antecipamos a derrota de Orban na Hungria, fomos atacados pela direita. A reputação se constrói lentamente, a partir de um trabalho árduo”, escreveu.
O executivo afirmou ainda que a empresa utilizará os meios legais para defender a metodologia adotada.
O levantamento contestado mostrou mudança significativa no cenário eleitoral em comparação com a pesquisa anterior realizada pelo instituto.
Em abril, Flávio Bolsonaro aparecia tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em uma simulação de segundo turno. Na ocasião, o senador registrava 47,8% das intenções de voto, contra 47,5% do presidente.
Já na pesquisa divulgada em 19 de maio, Lula apareceu com 48,9%, enquanto Flávio Bolsonaro marcou 41,8%, indicando uma queda de seis pontos percentuais para o parlamentar.
Agora, caberá ao plenário do TSE decidir se mantém ou revoga a liminar concedida por Kassio Nunes Marques, definindo o futuro da divulgação do levantamento.