Peru escolhe neste domingo o 9º presidente em uma década de instabilidade política
Disputa entre Keiko Fujimori e Roberto Sánchez ocorre após anos de crises institucionais, renúncias, destituições e sucessivas trocas no comando do país.
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Os peruanos voltam às urnas neste domingo (7) para escolher o próximo presidente da República em uma eleição marcada por forte polarização e pelo desgaste das instituições políticas. O pleito coloca frente a frente a conservadora Keiko Fujimori e o esquerdista Roberto Sánchez, em meio a uma crise que já levou o país a ter oito presidentes diferentes nos últimos dez anos.
A votação ocorre após uma sequência de renúncias, impeachments e governos interinos que transformaram o Peru em um dos cenários políticos mais instáveis da América do Sul. Desde 2016, nenhum presidente eleito conseguiu consolidar uma gestão duradoura, enquanto o Congresso ampliou sua influência sobre os rumos do país.
Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, chega ao segundo turno após liderar a votação inicial. Sua candidatura, no entanto, segue dividindo o eleitorado entre apoiadores do legado econômico do fujimorismo e críticos das violações de direitos humanos atribuídas ao governo de seu pai.
Do outro lado está Roberto Sánchez, ex-ministro e aliado do ex-presidente Pedro Castillo. O candidato defende reformas sociais e mudanças constitucionais, buscando apoio principalmente entre eleitores das regiões rurais e do interior peruano.
Analistas avaliam que o resultado permanece indefinido. Embora Fujimori tenha terminado à frente no primeiro turno, o histórico de rejeição ao fujimorismo pode influenciar a decisão final dos eleitores.
A eleição também é observada com atenção por governos da região devido aos possíveis impactos geopolíticos. Enquanto uma eventual vitória de Fujimori tende a aproximar o Peru de governos conservadores do continente, Sánchez tem adotado um discurso voltado para pautas sociais, embora sem sinalizar mudanças bruscas na política externa.
A disputa ocorre após anos de turbulência política. O último presidente peruano a concluir integralmente o mandato foi Ollanta Humala, que governou entre 2011 e 2016. Desde então, o país enfrentou sucessivas mudanças de governo, incluindo a destituição de Pedro Castillo, a queda de Dina Boluarte e a passagem de presidentes interinos indicados pelo Congresso.
O vencedor da eleição terá o desafio de reconstruir a confiança da população nas instituições e tentar interromper um ciclo de instabilidade que se tornou uma das principais marcas da política peruana na última década.