Novas tarifas dos EUA sobre produtos brasileiros provocam reação do governo e da indústria
Planalto anuncia uso da Lei da Reciprocidade, enquanto setor industrial defende negociação para evitar escalada da disputa comercial
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O anúncio de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros provocou reações do governo federal e de representantes da indústria nesta quinta-feira (23). As medidas, anunciadas pela gestão do presidente Donald Trump, ampliam a pressão sobre as exportações brasileiras e acirram a disputa comercial entre os dois países.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, afirmou que o setor produtivo busca manter o diálogo com empresas e autoridades norte-americanas para evitar o agravamento da crise.
"Nós estamos trabalhando também muito próximo, conversando muito com as empresas americanas, para que nós possamos fazer o nosso papel construtivo. Nós não podemos deixar que esse tom se eleve e que as coisas comecem a tomar derivações que não são pertinentes nem para uma economia, nem para a outra", declarou.
Esta é a segunda sobretaxa imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros em poucos dias. Desde quarta-feira (22), já está em vigor uma tarifa de 25% após uma investigação do governo americano concluir que o Brasil adota práticas consideradas desleais e prejudiciais a empresas dos EUA.
Com a nova tarifa de 12,5%, anunciada nesta quinta-feira, produtos brasileiros poderão ser taxados em até 37,5%, segundo estimativa da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), afetando cerca de US$ 10,7 bilhões em exportações.
Em nota, o governo brasileiro afirmou que rejeita a decisão e classificou as tarifas como "completamente arbitrárias e injustificadas". O Palácio do Planalto informou ainda que iniciará imediatamente os procedimentos previstos na Lei da Reciprocidade e levará o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Segundo o governo, durante a investigação conduzida pelos Estados Unidos, o Ministério do Trabalho e Emprego apresentou documentos e esclarecimentos sobre a legislação brasileira e as ações de combate ao trabalho forçado.
Já a Amcham avaliou que uma eventual retaliação brasileira tende a ampliar as tensões comerciais entre os dois países e defendeu que as divergências sejam resolvidas por meio de negociações diplomáticas. A entidade afirmou que o diálogo continua sendo o caminho mais adequado para tentar reverter as sobretaxas impostas pelos Estados Unidos.