Brasil é único país do Mercosul afetado por veto da União Europeia à carne
Argentina, Paraguai e Uruguai seguem autorizados a exportar produtos de origem animal ao bloco europeu; restrição ao Brasil passa a valer em setembro
O Brasil passou a ser o único integrante do Mercosul afetado pelas novas restrições sanitárias impostas pela União Europeia à importação de determinados produtos de origem animal. A medida foi oficializada pela Comissão Europeia e exclui o país da lista de nações autorizadas a exportar algumas categorias de produtos ao bloco formado por 27 países.
Enquanto o Brasil foi retirado da relação de exportadores habilitados, Argentina, Paraguai e Uruguai continuam autorizados a comercializar produtos de origem animal com o mercado europeu.
A decisão preocupa o setor agropecuário brasileiro, já que a União Europeia é um dos principais destinos das exportações nacionais de carnes. Em 2025, o bloco importou cerca de 368 mil toneladas de produtos brasileiros do segmento, movimentando aproximadamente US$ 1,8 bilhão.
Segundo a Comissão Europeia, a medida está relacionada ao cumprimento de exigências sanitárias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal. Bruxelas argumenta que o Brasil não apresentou informações consideradas suficientes para comprovar que atenderá integralmente às regras europeias até setembro deste ano.
A legislação da União Europeia restringe a importação de produtos oriundos de sistemas produtivos que utilizem determinados antimicrobianos para estimular crescimento ou aumentar a produtividade dos animais. O objetivo é combater a resistência bacteriana, considerada uma ameaça global à saúde pública.
Com a decisão, ficam afetadas exportações de produtos ligados à bovinocultura, avicultura, equinos, aquicultura, mel e tripas animais. Entre os principais itens comercializados pelo Brasil com o mercado europeu estão as carnes bovina e de frango, responsáveis pela maior parte da receita obtida com as vendas ao bloco.
O governo brasileiro afirma que enviou toda a documentação solicitada pelas autoridades europeias ainda em outubro de 2025 e sustenta que não recebeu pedidos adicionais de complementação das informações.
Apesar da oficialização da medida, a restrição ainda não entrou em vigor. O regulamento europeu prevê que as novas regras passem a valer a partir de 3 de setembro de 2026, período em que o Brasil tentará reverter a decisão e manter o acesso ao mercado europeu.