31 de julho de 2025
Mundo

Surto de ebola registra centenas de casos e pode entrar para os maiores da história

Doença já provocou 82 mortes e 452 infecções confirmadas; projeções indicam que número de casos pode ultrapassar 20 mil nos próximos meses

Por Redação
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Surto de ebola foge do controle e preocupa autoridades de saúde na África. - Foto: OMS

O avanço do ebola na África tem preocupado autoridades de saúde e especialistas internacionais. Um novo alerta divulgado por pesquisadores dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) indica que o atual surto pode se transformar em um dos maiores já registrados caso medidas urgentes não sejam adotadas para conter a disseminação do vírus.

O epicentro da crise está na República Democrática do Congo, onde 452 casos já foram confirmados e 82 mortes foram registradas. Apenas nas últimas 24 horas, as autoridades sanitárias contabilizaram mais 71 novos infectados, evidenciando a velocidade de propagação da doença.

Segundo os cientistas, a cepa responsável pelo surto é a Bundibugyo, uma variante rara e considerada altamente letal. Há indícios de que o vírus já circulava no país meses antes da identificação oficial dos primeiros casos, o que pode ter contribuído para a expansão silenciosa da doença.

As projeções apresentadas pelo CDC indicam um cenário preocupante. Caso apenas uma pequena parcela dos infectados seja identificada e isolada rapidamente, existe uma probabilidade elevada de o número de casos ultrapassar 20 mil nos próximos três meses. Por outro lado, a ampliação da vigilância epidemiológica e do isolamento precoce pode reduzir drasticamente esse risco.

Diante da ameaça, a Organização Mundial da Saúde e o CDC África anunciaram uma mobilização internacional para arrecadar cerca de US$ 518 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 2,7 bilhões. Os recursos devem reforçar a capacidade de resposta dos países afetados e ampliar a detecção de novos casos.

O controle da doença enfrenta obstáculos significativos. Muitas das áreas atingidas possuem infraestrutura hospitalar limitada e enfrentam conflitos armados, dificultando o acesso de equipes médicas e a implementação de medidas de contenção.

Além do Congo, o surto já alcançou a vizinha Uganda, onde 19 casos foram registrados. Autoridades sanitárias monitoram a situação com receio de que o vírus avance para outros países africanos.

O ebola é transmitido por contato direto com sangue, secreções e outros fluidos corporais de pessoas ou animais infectados. Os sintomas iniciais incluem febre alta, dores musculares, fadiga intensa e dor de cabeça. Em estágios mais graves, a doença pode provocar insuficiência de órgãos, alterações na coagulação e hemorragias internas e externas.

Atualmente, não há vacina nem tratamento específico disponível para a cepa Bundibugyo, o que aumenta a preocupação das autoridades diante do avanço da doença.