31 de julho de 2025
Grande Recife

Paraguaios resgatados de fábrica clandestina de cigarros em Pernambuco retornam ao país

Grupo encontrado em fábrica clandestina relatou jornadas exaustivas, vigilância constante e ausência de salários

Por Redação
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Durante a fiscalização, foram identificadas jornadas de até 12 horas por dia, sem descanso semanal regular. - Foto: Divulgação/Auditoria-Fiscal do Trabalho

Os 17 trabalhadores paraguaios resgatados de uma fábrica clandestina de cigarros no município do Cabo de Santo Agostinho, na Região Metropolitana do Recife, retornaram ao Paraguai neste sábado (6). O transporte foi custeado pelo Governo de Pernambuco, segundo informou a Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT).

Ao todo, 18 estrangeiros foram encontrados durante a operação realizada na última quinta-feira (4), mas um deles deixou o Brasil por conta própria no dia seguinte ao resgate.

De acordo com as investigações, os trabalhadores foram atraídos por falsas promessas de emprego formal na área de costura. Os recrutadores ofereciam salários entre R$ 3 mil e R$ 3,5 mil, além de moradia e alimentação. No entanto, ao chegarem ao Brasil, acabaram sendo levados para uma fábrica clandestina de cigarros.

Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, os paraguaios tiveram a comunicação com familiares interrompida e, em alguns casos, os celulares foram recolhidos ou controlados pelos responsáveis pelo local.

Durante a fiscalização, foram identificadas jornadas de até 12 horas por dia, sem descanso semanal regular. Os trabalhadores atuavam na produção e no empacotamento de cigarros sem treinamento adequado e sem equipamentos de proteção individual.

As condições de alojamento também chamaram a atenção dos fiscais. Os imigrantes dormiam em colchões espalhados pelo chão, em espaços superlotados, sem ventilação e iluminação adequadas. Em um dos dormitórios, 18 pessoas dividiam o mesmo ambiente, que contava apenas com um ventilador.

A fiscalização ainda constatou que os trabalhadores viviam sob vigilância constante. O imóvel possuía câmeras de monitoramento e áreas trancadas com cadeados. Relatos apontam que havia pessoas responsáveis por impedir a saída dos paraguaios das instalações.

Além disso, foram encontradas irregularidades relacionadas à alimentação, ao abastecimento de água potável e às condições de higiene. Nenhum dos trabalhadores havia recebido salários até a data da operação. Conforme os depoimentos, os pagamentos seriam realizados apenas após meses de trabalho e no retorno ao Paraguai.

Para os auditores-fiscais, os elementos encontrados caracterizam trabalho em condições análogas à escravidão, devido às condições degradantes e à restrição da liberdade dos trabalhadores.

Os resgatados terão direito ao recebimento das verbas trabalhistas e poderão solicitar o seguro-desemprego especial destinado a vítimas de trabalho escravo.

A operação foi coordenada pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, com apoio do Ministério Público do Trabalho (MPT), forças policiais e da Secretaria da Fazenda de Pernambuco. No imóvel, também foram apreendidos cigarros prontos para comercialização, matéria-prima e equipamentos utilizados na fabricação.

As investigações continuam para identificar os responsáveis pelo recrutamento, transporte e exploração da mão de obra estrangeira.