31 de julho de 2025
saúde

Pular refeições e comer tarde: como a desordem na rotina aumenta o risco de diabetes

Endocrinologista alerta que grande parte do perigo mora na soma de comportamentos cotidianos

Por Redação*
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Endocrinologista alerta que grande parte do perigo mora na soma de comportamentos cotidianos - Foto: Magnific

O número de diagnósticos de diabetes tipo 2 está em ritmo acelerado de crescimento no Brasil. Dados divulgados pela pesquisa Vigitel, do Ministério da Saúde, revelam que o percentual de adultos diagnosticados com a doença nas capitais brasileiras saltou de 5,5% em 2006 para 12,9% em 2024 — o que representa mais que o dobro de casos em menos de duas décadas.

Segundo a endocrinologista Maria Penha, do Hospital Regional de Assis (unidade da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo gerenciada pelo Cejam), o avanço da doença não está associado apenas ao consumo excessivo de açúcar. O grande perigo mora na soma de comportamentos cotidianos que, ao longo do tempo, desregulam o funcionamento hormonal do corpo.

O impacto dos longos jejuns e do "comer automático"


Ficar muitas horas sem se alimentar é uma das rotinas que mais prejudicam o metabolismo. "O corpo entende o jejum prolongado como uma situação de alerta. Há liberação de hormônios ligados ao estresse e o organismo passa a trabalhar para preservar energia", explica a médica.

O problema se agrava quando a pessoa finalmente faz uma refeição volumosa ou rica em carboidratos simples. Esse hábito gera um pico de glicose no sangue, forçando o pâncreas a produzir grandes quantidades de insulina rapidamente. A repetição diária desse ciclo gera a chamada resistência à insulina, estágio inicial que abre caminho para o diabetes tipo 2.

Hábitos considerados comuns e inofensivos ajudam a acelerar esse processo silencioso:


- Pular o café da manhã ou passar o dia apenas tomando café;

- Almoçar muito tarde;

- Substituir refeições completas por produtos ultraprocessados;

- Jantar muito perto do horário de dormir;

Comer no modo "automático" (trabalhando ou mexendo no celular), o que anula a percepção de saciedade.

Obesidade, sono ruim e o papel do estresse


A especialista aponta que a obesidade e o sedentarismo são fatores centrais. As Diretrizes da Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) reforçam que a redução do peso corporal é uma meta permanente, pois melhora o controle glicêmico e pode até levar à remissão da doença.

O estresse crônico e noites mal dormidas também cobram o seu preço. A liberação contínua de cortisol (hormônio do estresse) estimula o fígado a produzir mais glicose e favorece o acúmulo de gordura na região abdominal, uma combinação perigosa para o metabolismo.

Além disso, estudos mostram que a eficiência do corpo para metabolizar a glicose cai significativamente durante a noite. Portanto, refeições pesadas na madrugada tendem a descontrolar as taxas de açúcar no sangue com muito mais facilidade.

Apesar dos dados preocupantes, a Dra. Maria Penha esclarece que a prevenção não exige restrições radicais, mas sim constância e previsibilidade para o metabolismo.

"O diabetes não surge de repente. Ele costuma ser resultado de pequenos desequilíbrios repetidos diariamente durante muitos anos", afirma. Para proteger a saúde, as principais recomendações incluem manter horários regulares para comer, evitar longos períodos de jejum, priorizar alimentos naturais ricos em fibras e proteínas, e proteger a qualidade do sono.

*com informações do Correios 24 horas

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