Imóvel de empresa da sogra de Dantas foi alvo de denúncia antes de compra pelo Estado
Deputado Fabio Costa questiona desapropriação de imóvel ligado à família de Júlia Britto após denúncia de aluguel mensal de R$ 25 mil pago pelo Governo de Alagoas
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O deputado federal Delegado Fábio Costa (PP) voltou a denunciar uma operação envolvendo recursos públicos do Governo de Alagoas após revelar que o Estado pagava cerca de R$ 25 mil por mês de aluguel por um imóvel utilizado, segundo ele, principalmente para armazenamento de água mineral. Agora, o parlamentar questiona a desapropriação do mesmo prédio por R$ 7 milhões, em uma negociação que beneficia uma empresa que tem como sócias a mãe, a avó e a tia da primeira-dama Júlia Britto Rocha do Amaral Dantas.
A nova polêmica surgiu após a análise dos documentos da empresa Hima Hotelaria Imóveis e Administração Ltda., proprietária do imóvel localizado na Rua Professor Carlos Sampaio, no Centro de Maceió. Registros da Receita Federal mostram que integram o quadro societário da companhia Silvana Teixeira Britto, mãe da primeira-dama e sogra do governador Paulo Dantas (MDB), além da pianista Selma Teixeira Britto, avó de Júlia Britto, e Claudia Teixeira Britto Toledo, tia da primeira-dama.
Segundo Fábio Costa, a operação levanta questionamentos sobre a utilização dos recursos públicos e sobre os critérios que levaram o Estado a desembolsar R$ 7 milhões pela aquisição do imóvel. O parlamentar lembra que o prédio já havia sido alvo de denúncias em 2024, quando era alugado pelo governo por aproximadamente R$ 25 mil mensais.
“Não estou afirmando ilegalidade nem fazendo julgamento antecipado. O que estamos cobrando é transparência. Quando milhões de reais saem dos cofres públicos para beneficiar uma empresa controlada por familiares da primeira-dama, a população tem o direito de saber todos os detalhes dessa operação”, afirmou o deputado.
A desapropriação foi realizada pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), utilizando recursos do Fundo Estadual de Saúde. Conforme o governo estadual, o imóvel será destinado à instalação de setores administrativos da pasta.
Entretanto, documentos técnicos anexados ao processo apontam que o prédio apresentava desgaste estrutural e necessidade de manutenção antes da aquisição. Apesar dessas observações, a compra foi mantida após avaliações realizadas pela Secretaria de Planejamento, Gestão e Patrimônio (Seplag), parecer favorável da Procuradoria-Geral do Estado (PGE) e publicação de decreto de utilidade pública.
Outro ponto que chama atenção é que a empresa beneficiada concordou integralmente com o valor da indenização fixada pelo Estado e renunciou ao prazo legal para apresentar contestação. Registros financeiros mostram que os R$ 7 milhões já foram pagos à companhia.
Além da sogra do governador, Silvana Teixeira Britto, e da avó da primeira-dama, Selma Britto, também figuram entre os sócios Isadora Teixeira de Moura, José Carneiro de Moura e a empresa MPM Turismo Ltda. Selma Britto e José Carneiro de Moura aparecem como administradores da empresa.