Esposa do traficante 'Rabicó' é presa em megaoperação contra o braço financeiro do Comando Vermelho
Operação Contenção cumpre mandados em diversos municípios do estado do Rio de Janeiro, incluindo a capital, São Gonçalo, Duque de Caxias, Itaboraí, Iguaba Grande, Armação dos Búzios e São João de Meriti
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A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta sexta-feira (29), mais uma fase da Operação Contenção, cujo objetivo é sufocar o braço financeiro do Comando Vermelho. Entre os alvos capturados está Raquel Neves dos Santos Mendonça, companheira de Antônio Ilário Ferreira, o "Rabicó", uma das principais lideranças da facção criminosa. Até o momento, a ação nacional contabiliza 20 pessoas presas.
A ofensiva cumpre mandados em diversos municípios do estado do Rio de Janeiro, incluindo a capital, São Gonçalo, Duque de Caxias, Itaboraí, Iguaba Grande, Armação dos Búzios e São João de Meriti. Agentes também realizam buscas e prisões em cidades de São Paulo, Paraná, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Maranhão.
Com base na interceptação e análise de mensagens, os investigadores apontam que Rabicó atuava na coordenação da lavagem de dinheiro da organização. Sob sua responsabilidade direta estavam o gerenciamento de empresas de fachada, a realização de movimentações bancárias de alta complexidade e o uso de terceiros para ocultar patrimônio e mascarar a origem de valores ilícitos, o que o consolidou como o principal operador financeiro do grupo.
As investigações revelaram que a quadrilha estruturou uma complexa rede comercial para dar aparência de legalidade aos recursos do narcotráfico, utilizando de forma massiva o setor de reciclagem e o comércio de ferros-velhos. Essas empresas transferiam milhões de reais de forma direta para as contas do próprio Rabicó e de outras firmas ligadas ao grupo criminoso.
Para despistar as autoridades fiscais, o bando operava com contas bancárias de passagem, depósitos fracionados em dinheiro em espécie, emissão de notas fiscais fraudulentas e intensa movimentação financeira interna entre os CNPJs investigados.
O inquérito reuniu indícios de receptação qualificada e aquisição de materiais de origem suspeita. Policiais identificaram, inclusive, terrenos clandestinos que eram utilizados para realizar a queima de cabos de cobre para extração do metal bruto. Tais estabelecimentos e áreas de descarte eram vinculados a Rabicó, reforçando que o comércio de sucatas funcionava totalmente acoplado à cadeia produtiva de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho.
Para mapear e comprovar o volumoso montante financeiro lavado pelo grupo, a polícia cruzou dados patrimoniais utilizando Relatórios de Inteligência Financeira, além de quebras de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático ao longo do período de investigação.