Governo Dantas já gastou quase R$ 28 milhões com empresa citada em investigação sobre PCC
Táxi Aéreo Piracicaba recebeu quase R$ 28 milhões do Estado entre 2023 e 2026; piloto afirmou à PF ter transportado investigados ligados a esquema de lavagem de dinheiro
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O Governo de Alagoas já desembolsou aproximadamente R$ 27,75 milhões para a empresa Táxi Aéreo Piracicaba Ltda. (TAP), companhia citada em investigações da Polícia Federal sobre suposta ligação com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e uso de aeronaves em um esquema investigado de lavagem de dinheiro.
Os dados, obtidos por meio do Portal da Transparência do Governo de Alagoas, mostram que apenas em 2026 o Estado já pagou R$ 9.952.636,06 à empresa por meio do Departamento Estadual de Aviação (DEA). O valor se soma aos R$ 17,8 milhões desembolsados entre outubro de 2023 e setembro de 2024, revelados anteriormente em reportagem da coluna Painel, da Folha de S.Paulo.
Com isso, o total de recursos públicos pagos pelo Governo de Alagoas à Táxi Aéreo Piracicaba chega a R$ 27.752.636,06, valor próximo de R$ 28 milhões.
Segundo os registros do Portal da Transparência, os pagamentos feitos em 2026 incluem R$ 3.457.356,06 destinados à categoria de locação de bens móveis e outros R$ 6.495.280,00 classificados como locação de máquinas e equipamentos do DEA.
Já os gastos registrados anteriormente incluem contratos de fretamento de aeronaves utilizados para deslocamentos do governador Paulo Dantas e outras autoridades estaduais em viagens institucionais para cidades como Brasília, São Paulo e compromissos ligados ao Consórcio Nordeste.
Depoimento de piloto colocou empresa no radar da PF
A Táxi Aéreo Piracicaba passou a ser mencionada em investigações federais após um depoimento prestado pelo piloto Mauro Caputti Mattosinho à Polícia Federal no âmbito da Operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025 pelo Ministério Público de São Paulo para investigar a infiltração do PCC no setor de combustíveis.
Segundo o depoimento, o piloto afirmou ter transportado, em aeronaves operadas pela empresa, pessoas investigadas por participação em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado.
Entre os nomes citados nas investigações estão os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, apelidado de “Primo”, apontados como suspeitos de integrar um esquema de fraudes fiscais bilionárias, lavagem de dinheiro e suposta conexão com o PCC.
Ainda conforme as investigações, aeronaves utilizadas pela Táxi Aéreo Piracicaba pertenceriam a pessoas físicas investigadas na ofensiva federal.
Empresa está no centro da Operação Carbono Oculto
A Operação Carbono Oculto mobilizou cerca de 1.400 agentes em oito estados brasileiros e investiga um esquema de sonegação fiscal, corrupção e lavagem de dinheiro supostamente utilizado para financiar atividades do PCC no setor de combustíveis.
Além da ofensiva paulista, as informações prestadas por investigados deram origem à Operação Khalas, conduzida pelo Ministério Público da Bahia, que apura suspeitas de pagamento de propina a servidores públicos e fraudes tributárias que teriam causado prejuízo de cerca de R$ 400 milhões aos cofres estaduais.
Apesar de citada nas investigações, a Táxi Aéreo Piracicaba não possui condenação judicial relacionada ao caso.