Mesmo após Operação Carbono Oculto, Governo de AL pagou quase 10 milhões a empresa acusada de ligação com o PCC
Táxi Aéreo Piracicaba LTDA já havia faturado R$ 17,8 milhões com contratos do Estado entre 2023 e 2024
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O Governo de Alagoas desembolsou, apenas em 2026, quase R$ 10 milhões para a empresa Táxi Aéreo Piracicaba Ltda. (TAP), companhia que ganhou notoriedade nacional após ser citada em investigações da Polícia Federal por suposta ligação com integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Dados do Portal da Transparência do Governo de Alagoas mostram que o Departamento Estadual de Aviação (DEA) efetuou pagamentos que totalizam R$ 9.952.636,06 à empresa neste ano. Os valores correspondem a contratos ligados à locação de bens móveis e equipamentos utilizados pelo órgão estadual.
Somando os dois principais registros de despesas — R$ 3.457.356,06 em locação de bens móveis e R$ 6.495.280,00 em locação de máquinas e equipamentos do DEA —, o valor pago à empresa chega a R$ 9.952.636,06, ou seja, quase R$ 10 milhões apenas em 2026.
O caso ganha repercussão em meio ao avanço de investigações envolvendo empresários apontados como operadores de um suposto esquema bilionário de fraudes fiscais, lavagem de dinheiro e infiltração do crime organizado no setor de combustíveis, com possível ligação ao PCC.
Empresa foi citada em investigação da PF
A Táxi Aéreo Piracicaba entrou no radar das autoridades após depoimentos prestados à Polícia Federal durante a Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025 pelo Ministério Público de São Paulo para apurar a atuação do PCC no mercado de combustíveis.
Segundo as investigações, aeronaves operadas pela empresa teriam sido utilizadas por Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como “Beto Louco”, e Mohamad Hussein Mourad, apelidado de “Primo”, ambos apontados como alvos centrais do esquema.
Em depoimento à PF, o piloto Mauro Caputti Mattosinho afirmou ter transportado, em aeronaves ligadas à empresa, investigados suspeitos de participação em esquemas de lavagem de dinheiro associados ao crime organizado.
As apurações também apontam que aeronaves utilizadas pela companhia pertenceriam a pessoas investigadas na ofensiva federal.
Delação premiada e operação bilionária
O empresário “Beto Louco” firmou acordo de delação premiada com o Ministério Público da Bahia após se tornar alvo da Operação Khalas, que investiga um suposto esquema de corrupção, fraudes tributárias e pagamento de propinas na Secretaria da Fazenda da Bahia (Sefaz-BA).
Segundo o MP baiano, a fraude teria provocado um prejuízo estimado em R$ 400 milhões aos cofres públicos, incluindo adulteração de aproximadamente 111 milhões de litros de combustíveis.
Antes disso, uma tentativa de delação premiada em São Paulo acabou rejeitada pelo Ministério Público paulista. Conforme revelado, “Beto Louco” e “Primo” teriam oferecido mais de R$ 1 bilhão, mas investigadores entenderam que os investigados omitiram informações consideradas essenciais sobre a estrutura da organização criminosa e possíveis vínculos com o PCC.
Os dois empresários seguem foragidos desde agosto de 2025, quando foram alvos das operações Carbono Oculto, Tank e Quasar.
Contrato com Alagoas já havia repercutido nacionalmente
O vínculo entre o Governo de Alagoas e a Táxi Aéreo Piracicaba já havia repercutido nacionalmente em 2025. Reportagem da coluna Painel, da Folha de S.Paulo, apontou que o Estado desembolsou R$ 17,8 milhões entre outubro de 2023 e setembro de 2024 com fretamento de aeronaves utilizadas em deslocamentos do governador Paulo Dantas e outras autoridades estaduais.
Segundo os registros divulgados à época, os gastos cresceram significativamente no período, incluindo despesas relacionadas a viagens institucionais para Brasília, São Paulo e agendas do Consórcio Nordeste, levantando questionamentos sobre os custos das operações aéreas.