31 de julho de 2025
justiça

Psiquiatra afirma em júri que Dr. Jairinho tinha “prazer em provocar dor” em crianças

Especialista ouvido no caso Henry Borel apontou padrão de abuso infantil e traços de perversidade no ex-vereador

Por Redação
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Durante o depoimento, o psiquiatra citou casos envolvendo outras crianças que teriam sofrido agressões atribuídas a Jairinho. - Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

O médico psiquiatra Rafael Bernardon Ribeiro afirmou, nesta quarta-feira (27), durante o terceiro dia do julgamento da morte do menino Henry Borel, que o ex-vereador Dr. Jairinho apresentava traços de perversidade e demonstrava prazer em provocar sofrimento em crianças pequenas.

O especialista foi a primeira testemunha ouvida no Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Segundo ele, a análise do comportamento de Jairinho revelou um padrão de abuso infantil.

“Consegui perceber padrão de abuso infantil. Tem padrão de perversidade em infligir dor em crianças”, declarou o psiquiatra.

Henry Borel morreu em março de 2021, aos 4 anos. Dr. Jairinho é acusado de agredir a criança até a morte. A mãe do menino, Monique Medeiros, também responde ao processo sob acusação de omissão diante das agressões.

Formado pela Universidade de São Paulo (USP), Rafael Bernardon foi contratado pelo pai de Henry, Leniel Borel, para traçar o perfil psicológico dos réus. O médico afirmou que não teve contato direto com Jairinho e Monique, mas analisou depoimentos, entrevistas e relatos de pessoas próximas ao casal.

Durante o depoimento, o psiquiatra citou casos envolvendo outras crianças que teriam sofrido agressões atribuídas a Jairinho. Segundo ele, relatos de ex-companheiras apontam episódios de violência física, incluindo torções, afundamento em piscina, pisoteamentos e fraturas.

“Há um padrão de repetição que leva a traçar esse perfil de que a pessoa tem prazer em provocar dor e tortura, tendo como alvo crianças pequenas”, afirmou.

As defesas de Jairinho e Monique contestaram o depoimento e alegaram que o especialista não poderia traçar perfil psicológico sem entrevistar diretamente os réus.

O advogado de Jairinho, Rodrigo Faucz, classificou a oitiva como “absurda” e afirmou que o médico foi contratado apenas para sustentar a versão da acusação. A defesa de Monique também pediu a impugnação do testemunho, mas a solicitação foi negada pela juíza Elizabeth Machado Louro, responsável pelo júri.

O julgamento segue nesta quarta-feira com o depoimento de médicos e peritos envolvidos no caso. A expectativa é que o júri dure cerca de cinco dias.

Dr. Jairinho responde por homicídio qualificado, tortura, fraude processual e coação no curso do processo. Já Monique Medeiros é acusada de homicídio, tortura, fraude processual e outros crimes relacionados ao caso Henry Borel.