31 de julho de 2025
ALAGOAS

Câmeras flagram trajeto de viatura antes de policiais civis serem mortos por colega em Delmiro Gouveia

Imagens mostram veículo circulando pelo Centro da cidade pouco antes do crime que matou os agentes Yago Gomes e Denivaldo Jardel

Por Redação
Publicado em
carroemDelmiro_rep.webp - Foto:

Câmeras de segurança registraram parte do trajeto percorrido pela viatura descaracterizada ocupada pelos policiais civis Yago Gomes Pereira, de 33 anos, e Denivaldo Jardel Lira Moraes, de 47, antes dos dois serem mortos a tiros pelo próprio colega de trabalho, Gildate Goes, em Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas.

As imagens mostram o veículo branco circulando por ruas da região central do município durante a madrugada do último dia 20, pouco antes do crime. Após esse momento, a viatura não voltou a aparecer nas gravações obtidas pelas investigações.

Os vídeos devem ajudar a Polícia Civil a reconstruir os últimos momentos antes dos disparos e esclarecer a dinâmica do caso, que chocou a corporação alagoana.

Segundo informações preliminares da investigação, os três agentes retornavam de uma ocorrência e seguiam em direção à delegacia após uma missão policial entre os municípios de Piranhas e Delmiro Gouveia.

De acordo com a apuração inicial, Gildate Goes, que ocupava o banco traseiro da viatura oficial, teria atirado contra os colegas que estavam nos bancos dianteiros. Yago Gomes Pereira e Denivaldo Jardel Lira Moraes morreram ainda no local.

Durante coletiva de imprensa, o delegado-geral adjunto da Polícia Civil, Eduardo Mero, afirmou que o suspeito alegou não se recordar do momento dos disparos.

“Ele relata lembrar apenas da saída de Piranhas em direção a Delmiro Gouveia e, posteriormente, já fora do veículo, tentando se localizar”, explicou o delegado.

A investigação também aponta que não havia registros de desentendimentos anteriores entre os policiais envolvidos. Conforme os delegados responsáveis pelo caso, Denivaldo era considerado um amigo próximo de Gildate, com quem trabalhava havia mais de dez anos. A convivência com Yago também era frequente, já que os três costumavam atuar juntos em operações e diligências.

A perícia confirmou a existência de dois disparos dentro da viatura, além da localização de estojos compatíveis com a arma apreendida com o investigado.

Para aprofundar as apurações, a Polícia Civil instaurou uma comissão especial de delegados, presidida por Sidney Tenório, com participação dos delegados Flávio Dutra e Andrey Araújo.

Além disso, foram solicitados exames toxicológicos do suspeito e das vítimas, perícia balística, análises técnicas da cena do crime e exames complementares no Instituto Médico Legal (IML).

O delegado Antônio Carlos Lessa afirmou que o caso será conduzido sem privilégios.

“Todas as providências foram adotadas imediatamente. O caso será investigado com total rigor, sem qualquer privilégio por se tratar de um integrante da instituição”, declarou.

Os dois policiais mortos deixaram familiares e carreiras marcadas pela atuação na segurança pública. Yago Gomes Pereira era policial civil havia cerca de três anos, era casado e deixou uma filha pequena. Já Denivaldo Jardel Lira Moraes era pai de três filhos e vivia um momento especial em família após o nascimento recente de uma filha e a aprovação do filho mais velho no curso de Medicina.

Leia também