Datafolha: maioria dos brasileiros considera importante que próxima indicação ao STF seja mulher
Pesquisa mostra que 51% defendem indicação feminina para o Supremo; religião e representatividade negra também aparecem como critérios relevantes
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Uma pesquisa Datafolha, divulgada nesta segunda-feira (18), aponta que 51% dos brasileiros consideram muito importante que a próxima indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) seja uma mulher. O levantamento surge em meio às discussões sobre a escolha do novo ministro da Corte, após a rejeição do nome do advogado-geral da União ao Senado.
Atualmente, entre os 10 ministros do STF, apenas uma mulher ocupa cadeira no tribunal: a ministra Cármen Lúcia. O dado reforça o debate sobre representatividade de gênero dentro da mais alta Corte do país.
Segundo a pesquisa, além dos 51% que consideram muito importante a escolha de uma mulher, outros 18% avaliam esse fator como um pouco importante, enquanto 27% afirmam que não consideram relevante o gênero do indicado.
Quase metade dos brasileiros defende indicação de pessoa negra ao STF
A representatividade racial também apareceu como um ponto relevante para parte significativa da população. De acordo com o levantamento, 46% dos entrevistados afirmam ser muito importante que o próximo ministro do STF seja uma pessoa negra.
Além disso, 16% consideram esse aspecto um pouco importante, enquanto 34% disseram não atribuir importância ao critério racial.
Na composição atual do Supremo, dois ministros se autodeclaram pardos: Kássio Nunes Marques e Flávio Dino.
Outro dado que chamou atenção foi o peso da religiosidade. Para 46% dos brasileiros, é muito importante que o novo ministro tenha uma religião, enquanto 20% avaliam esse fator como pouco importante.
A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 139 municípios brasileiros, entre os dias 12 e 13 de maio, e possui margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Vaga no STF está aberta desde aposentadoria de Barroso
A 11ª cadeira do Supremo Tribunal Federal permanece vaga desde a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso, ocorrida em outubro do ano passado.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chegou a indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para ocupar o posto. No entanto, o nome foi rejeitado pelo Senado Federal em abril, em uma votação considerada histórica.
Messias recebeu 42 votos contrários, tornando-se a primeira indicação presidencial recusada pelo Senado para o STF desde 1894.
Nos bastidores políticos, aliados do governo atribuem a derrota a uma articulação liderada pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que defendia outro nome para a vaga.
Apesar do revés, Lula tem sinalizado a aliados que pretende manter Jorge Messias como opção para a Corte, avaliando a possibilidade de reapresentar a indicação futuramente.