31 de julho de 2025
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Anvisa decide nesta quarta sobre suspensão de produtos da Ypê após inspeção apontar falhas sanitárias

Agência vai analisar recurso da fabricante contra medida que suspendeu lotes de produtos de limpeza após inspeção em fábrica de São Paulo

Por Redação
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Imagens do relatório mostram a inspeção sanitária realizada no fim de abril na fábrica da Ypê. - Foto: Reprodução

A diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária deve decidir nesta quarta-feira (13) se mantém ou revoga a suspensão da fabricação e comercialização de lotes de produtos da marca Ypê. A medida foi adotada após uma inspeção sanitária identificar irregularidades consideradas graves na unidade fabril da empresa, localizada em Amparo.

A decisão da agência ocorre após a fabricante apresentar um recurso administrativo, o que suspendeu automaticamente os efeitos da medida até uma análise definitiva da diretoria da Anvisa.

A inspeção foi realizada no fim de abril por técnicos da Anvisa, do Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo e da Vigilância Sanitária de Amparo. Durante quatro dias, os fiscais analisaram as condições de produção da unidade da Química Amparo, responsável pela fabricação dos produtos da marca.

Segundo o relatório da fiscalização, foram encontrados descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas nos sistemas de garantia da qualidade, produção e controle interno.

Imagens do documento obtidas pela imprensa mostram equipamentos com sinais de corrosão, incluindo tanques utilizados na fabricação de detergentes e lava-louças. Os fiscais também relataram irregularidades no armazenamento de materiais, como restos de produtos devolvidos às linhas de envase.

O relatório aponta ainda que, entre dezembro de 2025 e abril de 2026, a empresa registrou resultados microbiológicos fora da especificação, incluindo testes positivos para a bactéria Pseudomonas aeruginosa em 80 lotes de produtos acabados.

De acordo com os fiscais, os lotes não teriam sido reprovados pelo controle de qualidade e permaneciam armazenados aguardando definição da empresa.

A Anvisa informou que o risco identificado envolve apenas lotes com numeração final 1 de alguns produtos, incluindo:

  • - Lava-louças
  • - Lava-roupas líquido
  • - Desinfetantes

Segundo a agência, produtos contaminados por bactérias podem representar risco à saúde, especialmente para idosos, crianças, pessoas imunossuprimidas e consumidores vulneráveis, podendo causar infecções na pele, nos olhos e até problemas respiratórios.

Ypê nega contaminação e diz que produtos seguem controle rigoroso

Em nota enviada ao Fantástico, a Ypê afirmou que a inspeção da Anvisa não encontrou contaminação nos produtos e ressaltou que a empresa possui mecanismos próprios de controle de qualidade capazes de identificar e descartar itens fora dos padrões exigidos.

A fabricante também afirmou que as imagens divulgadas mostram áreas que não têm contato direto com os produtos e fazem parte de um plano de melhorias estruturais alinhado com a Anvisa desde o ano passado.

Segundo a companhia, mais da metade das adequações já teria sido executada.

A empresa informou ainda que a produção da unidade de Amparo está temporariamente interrompida desde quinta-feira, justamente para acelerar as melhorias exigidas pela fiscalização sanitária.

“A Ypê reitera seu compromisso de 75 anos como uma empresa 100% nacional, focada em entregar produtos de qualidade a um preço justo para todos os brasileiros”, afirmou a companhia em nota.

Consumidores devem interromper uso de lotes afetados

Enquanto o recurso segue em análise, a Anvisa orientou consumidores que possuam em casa produtos pertencentes aos lotes citados na medida sanitária a suspender imediatamente o uso e procurar o serviço de atendimento ao consumidor da empresa para orientações sobre recolhimento.

A recomendação também foi direcionada a supermercados e estabelecimentos comerciais, que devem retirar os lotes afetados das prateleiras até nova decisão da agência.

O Centro de Vigilância Sanitária do Estado de São Paulo informou que mantém sua avaliação técnica sobre o risco sanitário e reforçou que o recurso administrativo segue apenas o rito legal, sem alterar, por ora, as conclusões da inspeção.

Em entrevista ao Fantástico, o diretor-presidente da Anvisa, Leandro Pinheiro Safatle, afirmou que a decisão será baseada em critérios técnicos e científicos.

“A Anvisa segue a boa técnica, segue a ciência e segue a melhor metodologia. A empresa exerceu o direito de ampla defesa, e nós vamos analisar essa questão de forma definitiva na próxima reunião de colegiado”, declarou.

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