Quase metade dos domicílios de Alagoas recebe benefícios do governo, aponta IBGE
Em números absolutos, 477 mil lares alagoanos possuem ao menos um beneficiário de auxílios como Bolsa Família, que atende 32,8% das residências, ou BPC-LOAS, que alcança 9,2%
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A dependência de programas sociais em Alagoas voltou a crescer em 2025, atingindo 41,7% dos domicílios do estado, segundo dados da Pnad Contínua divulgados nesta sexta-feira (8) pelo IBGE. O índice coloca Alagoas na quarta posição nacional entre as unidades da federação com maior cobertura assistencial, ficando atrás apenas de Pará, Maranhão e Piauí. Em números absolutos, 477 mil lares alagoanos possuem ao menos um beneficiário de auxílios como Bolsa Família, que atende 32,8% das residências, ou BPC-LOAS, que alcança 9,2%. A proporção estadual é quase o dobro da média brasileira de 22,7% e representa o maior patamar registrado desde o período pós-pandemia.
O peso desses benefícios na composição do orçamento das famílias também aumentou, passando a representar 10% do rendimento mensal total, enquanto a fatia vinda diretamente do trabalho recuou de 68,4% para 66,2%. Esse cenário ocorre em meio a um forte contraste: apesar da alta dependência estatal, o rendimento médio do trabalho em Alagoas atingiu o maior valor da série histórica, chegando a R$ 2.531. Pelo terceiro ano consecutivo, o ganho salarial no estado cresceu, acumulando alta de 42% em três anos e superando a média regional do Nordeste. No entanto, o estado ainda amarga a 23ª posição no ranking nacional de renda do trabalho.
A pesquisa do IBGE revela ainda que o crescimento econômico não foi distribuído de forma igualitária, mantendo Alagoas como o sexto estado mais desigual do país. Embora a renda média geral tenha subido, a população na base da pirâmide financeira sofreu perdas. Entre os 5% mais pobres, o rendimento médio caiu de R$ 110 para apenas R$ 99 mensais em 2025. O índice de Gini, que mede a concentração de renda, ficou em 0,512, valor acima da média nacional. Com esses indicadores, o rendimento domiciliar per capita de Alagoas permanece como um dos menores do Brasil, superando apenas os registrados no Ceará, Acre e Maranhão.