Gastos com apostas online ultrapassam R$ 30 bilhões por mês e acendem alerta sobre endividamento no Brasil
Estudo aponta aumento da inadimplência grave e impacto direto nas finanças das famílias após avanço das “bets”
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Os gastos dos brasileiros com apostas online já ultrapassam R$ 30 bilhões por mês, segundo levantamento apresentado pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O estudo foi divulgado nesta terça-feira (28), em Brasília, e aponta um impacto crescente das chamadas “bets” sobre a saúde financeira das famílias.
De acordo com a análise, baseada na Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, os gastos com apostas praticamente inexistentes até 2021 dispararam a partir de 2023, acompanhando o avanço das plataformas digitais no país.
Inadimplência mais grave preocupa
Embora o número total de famílias endividadas não tenha aumentado significativamente, o estudo revela uma piora na qualidade das dívidas. Ou seja, mais brasileiros passaram a enfrentar dificuldades sérias para pagar contas.
O principal indicador afetado foi o de inadimplência severa — quando a família declara não ter condições de quitar suas obrigações. Além disso, o tempo médio de atraso nos pagamentos também cresceu, indicando um agravamento prolongado da situação financeira.
O levantamento mostra que homens, pessoas com mais de 35 anos e famílias de baixa renda estão entre os mais impactados. No entanto, chamou atenção o aumento da inadimplência também entre pessoas com maior escolaridade, possivelmente devido ao maior acesso a crédito e plataformas digitais.
Entre as classes mais altas, houve redução no nível geral de endividamento, mas aumento nos atrasos, sugerindo que parte da renda pode estar sendo direcionada para apostas.
O avanço das bets ocorre mesmo em um cenário de melhora econômica, com queda do desemprego e inflação mais controlada. Ainda assim, os efeitos negativos das apostas se mantêm, reforçando a relação entre o crescimento do setor e o agravamento das finanças pessoais.
Um estudo do Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF) aponta que mais de um terço da população do Distrito Federal realizou algum tipo de aposta nos últimos 12 meses.
A maioria dos apostadores pertence às faixas de renda média-baixa e baixa, com destaque para quem ganha entre R$ 1.518 e R$ 3.000 mensais. Os dados indicam que a prática é mais comum entre camadas economicamente mais vulneráveis.
Diante do cenário, especialistas defendem medidas como maior controle da publicidade de apostas, fortalecimento da proteção ao consumidor e ampliação da educação financeira.
O crescimento acelerado das apostas online já é considerado um problema relevante não apenas econômico, mas também social, exigindo atenção de autoridades e da sociedade.