31 de julho de 2025
Séries

Saiba quem é o engenheiro apontado como “herói invisível” do acidente com césio-137 em Goiânia

Sebastião Maia de Andrade foi responsável por confirmar a radiação e acionar autoridades, mas ficou fora da série “Emergência Radiotiva”

Por Redação
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Série Emergência Radioativa - Foto: Divulgação

Quase quatro décadas após o acidente com o Césio-137, em Goiânia, um dos nomes centrais na resposta à tragédia voltou a ser lembrado com a repercussão da minissérie Emergência Radiotiva, da Netflix.

Trata-se do engenheiro nuclear Sebastião Maia de Andrade, considerado por especialistas como peça-chave na identificação do material radioativo que desencadeou uma das maiores emergências de saúde pública do país.

Papel decisivo na crise

À época, Sebastião Maia atuava como gerente da Nucleobrás e integrava o programa nuclear brasileiro. Ele foi acionado após suspeitas levantadas por técnicos e pelo físico Walter Mendes Ferreira, um dos primeiros a identificar sinais de radiação.

Com um equipamento de medição mais preciso, o engenheiro confirmou níveis extremamente elevados no local onde estava a cápsula abandonada.

Em relato posterior, ele descreveu que, a cerca de 100 metros do ponto contaminado, os índices já ultrapassavam 15 mil contagens por segundo — um alerta claro de risco grave.

A confirmação levou à mobilização imediata de equipes de emergência, com isolamento da área ainda nas primeiras horas.

Tragédia e resposta

O acidente com o césio-137 resultou em milhares de pessoas expostas. Mais de 112 mil foram monitoradas e centenas apresentaram contaminação, exigindo uma ampla operação de saúde pública.

Casos mais graves foram encaminhados ao Hospital Naval Marcílio Dias, referência nacional no tratamento de vítimas de radiação.

Ausência na série e críticas

Apesar da importância histórica, Sebastião Maia não aparece na produção da Netflix. A série optou por reunir características de diferentes profissionais em personagens fictícios.

A decisão gerou críticas de entidades locais e da Associação das Vítimas do Césio-137, que apontam falta de representatividade e ausência de diálogo com sobreviventes.