Pesquisa aponta dificuldade de acesso a diagnóstico e terapias para autistas no Brasil
Estudo nacional revela que apenas 15,5% utilizam o SUS para tratamento
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Um levantamento inédito sobre o perfil de pessoas com transtorno do espectro autista (TEA) no país aponta limitações no acesso a diagnóstico e terapias. Divulgado nesta quinta-feira (9), o estudo Mapa Autismo Brasil foi realizado pelo Instituto Autismos e ouviu mais de 23 mil pessoas em todo o país.
Os dados mostram que apenas 20,4% dos entrevistados tiveram o diagnóstico confirmado pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Já o acesso a terapias pela rede pública é ainda mais restrito: somente 15,5% afirmaram utilizar esse tipo de atendimento.
A maior parte dos participantes relatou recorrer à rede privada ou a planos de saúde para garantir acompanhamento. Mesmo assim, o estudo indica que a carga horária de terapias é inferior ao recomendado internacionalmente, com a maioria realizando até duas horas semanais.
A pesquisa também revela que 16,4% das pessoas com TEA não fazem nenhum tipo de terapia. Entre os que recebem atendimento, as práticas mais comuns são psicoterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia e acompanhamento psicopedagógico.
Outro ponto destacado é a dificuldade no acesso ao diagnóstico, que ainda ocorre, em muitos casos, de forma tardia. Embora parte significativa seja identificada até os 4 anos de idade, a média geral é mais elevada, indicando que muitos casos são confirmados apenas mais tarde.
Segundo o levantamento, a maioria dos diagnósticos é feita na rede privada, o que evidencia desigualdades no acesso aos serviços especializados. O cenário é ainda mais desafiador nas regiões Norte e Nordeste, onde há maior dependência do SUS.
Além da saúde, o estudo aponta impactos na educação e no mercado de trabalho. Apesar de boa parte das crianças e adolescentes frequentar a escola, cerca de 40% não recebem apoio adequado. Entre adultos, quase 30% estão desempregados ou sem renda.
Para o Instituto Autismos, os dados reforçam a necessidade de ampliar políticas públicas voltadas ao diagnóstico precoce, ao acesso a terapias e à inclusão social de pessoas com TEA no Brasil.