31 de julho de 2025
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Policiais militares e guarda municipal são presos em operação contra fraudes em concursos públicos em Pernambuco

Candidatos pagavam até R$ 70 mil para ser aprovados em certames do Tribunal de Contas e do Tribunal de Justiça do estado; quadrilha atuava há cerca de dez anos

Por Redação
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Operações Kýma e Crivo cumpriram, juntas, 37 mandados de busca e apreensão - Foto: Polícia Civil/Divulgação

A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou nesta quarta-feira (25) duas operações contra uma quadrilha especializada em fraudar concursos públicos. Os criminosos atuaram nos certames do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) , cujas provas foram realizadas em 2025.

Ao todo, foram cumpridos 37 mandados de busca e apreensão em Pernambuco e no Rio Grande do Norte. Também foram expedidos 11 mandados de prisão, sendo nove cumpridos até o momento. Entre os presos estão policiais militares de Pernambuco e do Piauí, além de um guarda municipal.

De acordo com as investigações, os candidatos pagavam até R$ 70 mil para garantir a aprovação nos concursos.

Em coletiva de imprensa, investigadores da Delegacia de Combate à Corrupção (Deccor) e do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (Dracco) detalharam o funcionamento da quadrilha. Os criminosos ofereciam diversos serviços aos candidatos interessados, como:

  • cópias de gabaritos;
  • “clones” — pessoas que faziam a prova no lugar do candidato;
  • dispositivos de transmissão, como pontos eletrônicos e celulares adaptados para não serem detectados por equipamentos de segurança.

O pagamento era dividido em duas partes:

  • uma parcela inicial, entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, para custear os equipamentos e a logística;
  • o restante, que podia chegar a 20 vezes o salário inicial do cargo, pago após a aprovação e a posse.

Segundo a polícia, a quadrilha atua há cerca de dez anos e é extremamente organizada, com hierarquia bem definida. O líder da organização também foi preso e tem histórico de crimes violentos, como roubo qualificado.

Operação Kýma investigou fraudes no concurso do TJPE para técnico judiciário, realizado em 21 de setembro de 2025. O certame já havia sido alvo de inquérito da Polícia Federal, que confirmou as irregularidades. As provas foram anuladas em janeiro. Foram identificados 11 suspeitos, incluindo o chefe do esquema.

Operação Crivo teve início após uma prisão em flagrante por fraude no concurso do TCE-PE. As investigações revelaram que se tratava da mesma quadrilha.

Durante as ações, foram mobilizados mais de 100 policiais civis para cumprir os mandados. Foram apreendidos mídias digitais, celulares e outros materiais que devem auxiliar nas investigações.

A polícia segue investigando como os clientes acessavam a quadrilha e quais outros concursos podem ter sido alvos dos criminosos. Ao menos quatro servidores de segurança pública estão envolvidos — três policiais militares e um guarda municipal —, sendo três membros da organização e um cliente.

As investigações continuam para identificar todos os participantes e responsabilizá-los criminalmente.