Datafolha: 52% dos brasileiros veem tarifaço de Trump como apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro
Pesquisa mostra que maioria dos entrevistados acredita que sobretaxas impostas pelos Estados Unidos têm objetivo de favorecer o senador na disputa pela Presidência; percepção varia conforme preferência política
Publicado em
Uma pesquisa do Datafolha, divulgada nesta segunda-feira (27), aponta que 52% dos brasileiros acreditam que o tarifaço imposto pelos Estados Unidos ao Brasil tem como objetivo favorecer politicamente o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República nas eleições de 2026.
Segundo o levantamento, 37% dos entrevistados afirmam não acreditar que a medida tenha essa finalidade, enquanto 11% disseram não saber ou preferiram não opinar.
A pesquisa foi realizada entre os dias 22 e 23 de julho, com 2.004 entrevistados de 16 anos ou mais em diversas regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com 95% de nível de confiança.
Percepção varia conforme o eleitorado
Os dados mostram que a avaliação sobre as tarifas norte-americanas está fortemente relacionada à preferência política dos eleitores.
Entre os entrevistados que declaram voto no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 73% afirmam acreditar que a decisão do governo do presidente Donald Trump busca beneficiar eleitoralmente Flávio Bolsonaro.
Já entre os eleitores que apoiam o senador do PL, apenas 29% compartilham dessa percepção, indicando uma divisão significativa conforme o posicionamento político.
Tarifaço foi ampliado em dois momentos
A tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos aumentou na última semana após o governo norte-americano anunciar novas tarifas sobre produtos brasileiros.
A primeira sobretaxa, de 25%, entrou em vigor em 22 de julho. Na ocasião, os Estados Unidos justificaram a medida alegando a existência de supostas práticas comerciais desleais que prejudicariam empresas e exportadores americanos.
No dia seguinte, o governo de Donald Trump anunciou uma tarifa adicional de 12,5%, elevando a carga total para 37,5%. A nova justificativa foi baseada em alegações relacionadas ao combate insuficiente ao trabalho forçado em cadeias produtivas brasileiras.
Em resposta, o governo brasileiro criticou a decisão dos Estados Unidos, classificou a medida como injustificada e prometeu adotar ações de reciprocidade.
Declarações de Flávio Bolsonaro
O debate ganhou dimensão política após Flávio Bolsonaro participar, em junho, de uma reunião na Casa Branca com Donald Trump.
Na ocasião, o senador publicou uma fotografia ao lado do presidente norte-americano. No mesmo período, os Estados Unidos anunciaram a intenção de impor tarifas sobre produtos brasileiros.
Inicialmente, Flávio declarou que defendia o adiamento da aplicação das tarifas para depois das eleições brasileiras, argumentando que a medida poderia beneficiar eleitoralmente o presidente Lula.
Posteriormente, o senador afirmou que passou a defender o cancelamento das sobretaxas, e não apenas o adiamento. Em declarações à imprensa, disse que não deseja tarifas para o Brasil e atribuiu ao governo Lula a responsabilidade pela crise comercial.
Após a entrada em vigor da primeira etapa do tarifaço, Flávio também compartilhou uma publicação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que responsabilizava o governo brasileiro pelas medidas adotadas pelos Estados Unidos.