31 de julho de 2025
CASO DE POLÍCIA

Corregedoria da SDS investiga inclusão de fotos de deputadas em álbum da Polícia Civil de Pernambuco

Imagens de Duda Salabert e Érika Hilton foram usadas em procedimento de reconhecimento de suspeitos; parlamentares denunciam discriminação racial e de gênero

Por Redação
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Fotos de Duda Salabert e Erika Hilton são usadas como suspeitas em reconhecimento policial. - Foto: Divulgação

Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS) de Pernambuco instaurou, nesta quarta-feira (25), uma investigação preliminar para apurar a inclusão indevida das fotos das deputadas federais Duda Salabert (PDT-MG) e Érika Hilton (PSOL-SP) em um álbum fotográfico utilizado pela Polícia Civil em um procedimento de reconhecimento de suspeitos. O caso ocorreu em abril de 2025 e veio à tona após ofício encaminhado pela Defensoria Pública de Pernambuco (DPPE).

De acordo com o documento, as imagens das parlamentares foram exibidas à vítima de um roubo durante o reconhecimento de possíveis suspeitos. A defensora Gina Muniz destacou, com perplexidade, que a única razão aparente para a inclusão das fotos seria o fato de ambas serem mulheres negras e trans, indicando que o critério de seleção adotado pela autoridade policial teria sido o pertencimento a um grupo identitário de gênero e raça.

Diante do ocorrido, Érika Hilton e a vereadora do Recife Jô Cavalcanti (PSOL) acionaram a Corregedoria da SDS e o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), solicitando apuração célere e rigorosa. Em nota, Érika pediu a responsabilização dos envolvidos nas esferas administrativa, civil e penal, além da revisão dos protocolos de reconhecimento para evitar a repetição de práticas discriminatórias.

A deputada afirmou que a inclusão de mulheres trans e negras no álbum indica o uso de critérios genéricos e discriminatórios, baseados em identidade de gênero e raça, e não em características físicas específicas da suspeita.

Já Duda Salabert declarou que a situação “expõe prática discriminatória e transfóbica; não é erro, é estrutura”, e que “esse episódio escancara uma cultura institucional que ainda associa corpos trans e negros à criminalidade”.

O diretório estadual do PSOL manifestou solidariedade às deputadas e repudiou o ocorrido, descrevendo-o como “mais um ataque vil contra a dignidade”. Em nota, o partido exigiu resposta da governadora e da SDS-PE de forma célere, firme e contundente, não apenas para esclarecer os fatos e responsabilizar os culpados, mas também para definir medidas que impeçam a repetição de práticas discriminatórias.

“A conduta adotada pela Polícia Civil de Pernambuco não pode e não será vista como um simples erro, acidente ou falha administrativa”, diz trecho da nota.

Polícia Civil de Pernambuco (PCPE) afirmou que foi assegurada uma apuração rigorosa dos fatos e que serão adotadas todas as medidas cabíveis. A instituição reforçou que está implementando continuamente diretrizes, protocolos e ações voltadas à orientação de seus servidores, visando a uma atuação ética, responsável e livre de qualquer forma de preconceito.

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