31 de julho de 2025
PENSE 2024

IBGE: quatro em cada dez adolescentes já sofreram bullying na escola

Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar mostra que, embora o percentual de vítimas tenha se mantido estável, os episódios de agressão estão mais persistentes e intensos

Por Redação
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Quatro em cada dez adolescentes já sofreram bullying na escola - Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

Quatro em cada dez estudantes brasileiros de 13 a 17 anos afirmam já ter sido alvos de bullying. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) , na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE) , com base em depoimentos coletados em 2024 em escolas de todo o país.

O levantamento aponta que 39,8% dos jovens nessa faixa etária já sofreram bullying na escola. Entre as meninas, o percentual sobe para 43,3%. Além disso, 27,2% dos alunos relataram ter sofrido humilhações duas ou mais vezes — um aumento de mais de 4 pontos percentuais em relação a 2019.

Segundo Marco Andreazzi, gerente da pesquisa, o dado mais preocupante não é a estabilidade no número de vítimas, mas sim o aumento na persistência e intensidade dos episódios.

“O bullying já é caracterizado como algo persistente, intermitente… E nós observamos aqui uma tendência de aumento, o que indica que mais estudantes passaram a vivenciar situações repetidas de violência. O número dos que sofrem bullying permanece praticamente igual, porém, a persistência dos episódios e a intensidade deles aumentou”, explicou.

Entre os estudantes que relataram ter sido vítimas, os principais motivos apontados foram:

  • - aparência do rosto ou cabelo: 30,2%
  • - aparência do corpo: 24,7%
  • - cor ou raça: 10,6%

Um percentual significativo de 26,3% declarou que o bullying “não teve motivo”. Para os pesquisadores, isso reflete a natureza muitas vezes gratuita e coletiva da agressão, em que a vítima não consegue identificar uma razão para o ataque.

Enquanto as meninas são as principais vítimas, os meninos são os que mais praticam bullying:

  • - 16,5% dos meninos declararam ter cometido bullying
  • - 10,9% das meninas assumiram a prática

Entre os agressores, os motivos mais citados foram aparência, cor ou raça, gênero/orientação sexual e deficiência. No entanto, houve uma diferença significativa entre o que os autores relatam e o que as vítimas reconhecem: por exemplo, 12,1% dos agressores disseram ter cometido bullying por gênero ou orientação sexual, mas apenas 6,4% das vítimas associaram a agressão a esse fator. Para os pesquisadores, isso pode indicar que muitas vítimas silenciam sobre as circunstâncias por medo ou receio de serem estigmatizadas.

A pesquisa também identificou que 16,6% dos estudantes já foram fisicamente agredidos por colegas — percentual que sobe para 18,6% entre os meninos. Esse número também cresceu em relação a 2019, quando era de 14%.

Já o bullying virtual (praticado por meio de redes sociais ou aplicativos) recuou de 13,2% para 12,7%. Nesse caso, as meninas aparecem como vítimas em maior proporção: 15,2% delas já se sentiram humilhadas ou ameaçadas por conteúdos postados nesses espaços, contra 10,3% dos meninos.

O IBGE também entrevistou gestores escolares sobre as iniciativas de prevenção. Apenas 53,4% dos alunos estudavam em escolas aderidas ao Programa Saúde na Escola (PSE) , que desenvolve ações voltadas ao bem-estar dos estudantes.

Entre as escolas participantes:

  • - 43,2% realizaram ações de prevenção ao bullying
  • - 37,2% atuaram para prevenir brigas nas dependências da unidade

Os dados indicam que ainda há espaço significativo para ampliar as políticas de prevenção e acolhimento nas escolas brasileiras.

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