Trump diz que acordo com Irã terá cerca de 15 pontos e coloca fim do programa nuclear como prioridade
Presidente americano afirmou que representantes dos EUA conversarão com líderes iranianos ainda nesta segunda-feira (23); governo do Irã nega diálogo direto sobre fim da guerra
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (23) que as negociações com o Irã avançaram e que um possível acordo entre os dois países deve conter cerca de 15 pontos. Segundo o republicano, os três primeiros e mais importantes tratam do fim do programa nuclear iraniano.
“Tivemos conversas muito produtivas. Vamos ver onde elas nos levam. Temos pontos de concordância importantes – eu diria que quase todos os pontos de concordância”, declarou Trump a jornalistas antes de embarcar no Aeroporto Internacional de Palm Beach, na Flórida.
Questionado sobre os detalhes, o presidente respondeu que o Irã “não vai ter uma arma nuclear. Esse é o número um, dois e três”. Ele ainda classificou as conversas como “perfeitas” e disse acreditar que o conflito na região pode ser encerrado de forma “muito substancial”.
Trump também anunciou que determinou a suspensão dos ataques dos EUA contra a infraestrutura civil do Irã por cinco dias, como forma de dar espaço às negociações. Segundo ele, representantes americanos devem conversar com líderes iranianos ainda nesta segunda-feira por telefone, já que um encontro presencial seria difícil de organizar.
“Eles querem muito chegar a um acordo, nós também gostaríamos de chegar a um acordo”, acrescentou.
O presidente mencionou ainda que seu genro, Jared Kushner, e o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, conversaram com um líder iraniano no domingo (22). Ele negou, porém, que se tratasse de Mojtaba Khamenei, filho do falecido líder supremo do Irã, afirmando não saber se ele está vivo.
Em resposta às declarações de Trump, o Ministério das Relações Exteriores do Irã adotou um tom de cautela. A pasta afirmou que o país não está dialogando com os EUA sobre o fim da guerra e sugeriu que as declarações americanas fazem parte de uma estratégia para reduzir os preços da energia e ganhar tempo para implementar planos militares.
“Sim, houve iniciativas de países da região para reduzir as tensões, e nossa resposta a todas elas é clara: não somos nós que iniciamos esta guerra, e todos esses pedidos devem ser direcionados a Washington”, disse o comunicado iraniano.
Ao ser questionado sobre as declarações do Irã, Trump reagiu com ironia: “Eles vão precisar contratar melhores profissionais de relações públicas. Talvez isso não tenha ficado claro. A comunicação, como você sabe, foi completamente destruída. Eles não conseguem se comunicar.”
Apesar da negativa iraniana, Trump demonstrou otimismo quanto à possibilidade de um acordo. As movimentações diplomáticas ocorrem em meio a tensões na região, com os EUA buscando conter o avanço do programa nuclear iraniano, que Teerã sempre afirmou ter finalidade civil.
A suspensão dos ataques a infraestrutura civil por cinco dias é vista como uma janela para que as conversas avancem, embora ainda haja divergências públicas sobre a disposição real de ambos os lados para negociar diretamente.