31 de julho de 2025
em barreiros

"Por que eu? Não fiz nada com ele": o desabafo da vítima de 14 anos esfaqueada em escola de Pernambuco

Adolescente perdeu movimentos das pernas após primeiro golpe e segue internada em estado estável; família rebate boatos de bullying e cobra respostas

Por Redação
Publicado em
Escola Cristiano Barbosa e Silva, em Barreiros, na Mata Sul de Pernambuco - Foto: Reprodução/Google Street View

Uma das vítimas do ataque a faca praticado por um colega, de 14 anos, na Escola Cristiano Barbosa e Silva, em Barreiros, de Pernambuco segue internada no Hospital da Restauração (HR), no Recife, em situação estável. As outras duas estudantes feridas já receberam alta.

Segundo a mãe, a filha sofreu quatro perfurações — três nas costas e uma no braço. O primeiro golpe, nas costas, foi o mais grave. "Foi quando ela perdeu o movimento das pernas e caiu. Como ficou no chão, acabou ficando mais vulnerável aos ataques seguintes", contou.

A família recebeu a notícia cerca de 20 minutos depois que a adolescente saiu de casa para ir à escola. A ligação partiu da própria unidade de ensino. "Quando a gente chegou, deu de cara com a cena. Ela estava no chão, consciente, dizendo que o menino tinha atacado a turma", relatou a mãe.

A mulher afirma que a filha não era o alvo específico do agressor, mas fazia parte de um grupo de estudantes que foi surpreendido pelo ataque. "Ele foi em direção ao grupo onde ela estava. Outras duas pessoas também foram atingidas", disse.

"Nunca falou com ele, nunca praticou bullying"


Após o ataque, a adolescente passou a questionar repetidamente a família sobre o motivo da agressão. A mãe reforça que a jovem nunca teve qualquer tipo de contato com o agressor. "Ela sempre diz que nunca falou com ele, nunca chegou perto", afirmou.

A família também rebateu boatos que circulam nas redes sociais de que a filha teria desentendimentos com o agressor ou que praticava bullying. "É mentirosa toda notícia de que tinha envolvimento, que tinha rixa ou que fazia bullying. Minha filha nunca teve nenhum tipo de contato com esse menino", declarou a mãe.

Segundo ela, a própria adolescente já havia comentado em casa sobre o comportamento reservado do colega. "Ela já tinha dito que tinha um menino na escola que não falava com ninguém e que era muito quieto. Ela dizia que achava ele estranho e que tinha medo. Mas ela também dizia que nunca mexia com ninguém", contou.

A mãe descreve a filha como uma jovem tranquila e sensível. "Ela sempre dizia: 'maninha, eu não mexo com ninguém. A senhora sabe que eu fico com pena até quando alguém fala alto com outra pessoa'", relatou.

Estado de saúde e medo do futuro


A adolescente está sendo submetida a uma série de exames para que os médicos possam entender a causa da falta de sensibilidade nas pernas após os ferimentos. "Ela está estável, está falando, mas é um caso crítico. Os médicos estão investigando o local do ferimento e aguardando os exames para chegar a um diagnóstico", explicou a mãe.

Ainda muito abalada, a estudante também manifestou medo de retornar à escola. "Ela pediu: 'mãe, eu não quero voltar aqui nunca mais'. Ela está muito assustada", disse a mãe. A família pretende buscar acompanhamento psicológico para ajudá-la a lidar com o trauma.

A mãe também falou sobre o impacto do caso e disse que ainda tenta entender como uma situação como essa pode acontecer. "O que passa na minha cabeça é como uma criança pode ter uma mente tão perversa. E como os pais não percebem isso dentro de casa", questionou.

Segundo ela, além da dor causada pelo ataque, a família tem enfrentado a repercussão de informações falsas nas redes sociais. "Cada palavra dizendo que a minha filha é culpada ou que ela fez algo machuca muito a gente. Está sendo muito difícil", afirmou.

Mesmo orientada a evitar novas declarações, a mãe decidiu falar para que a versão da filha também fosse ouvida. "A gente só quer que fique claro que ela nunca fez nada com esse menino. Nunca falou com ele, nunca praticou bullying. Ela também é vítima de tudo isso", declarou.

O caso


O suspeito, de 14 anos, foi levado para uma cidade da região por questões de segurança. A Polícia Civil de Pernambuco investiga o caso. As circunstâncias do ataque e a motivação ainda não foram oficialmente esclarecidas.

*com Diário de Pernambuco

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