Operação Indébito: PF encontra pilhas de dinheiro e carros de luxo em esquema de fraudes no INSS
Investigações apontam que grupo criminoso movimentou bilhões com descontos indevidos em aposentadorias; deputada federal é monitorada com tornozeleira
Publicado em
Durante o cumprimento de mandados na manhã desta terça-feira (17), a Polícia Federal encontrou pilhas de dinheiro vivo e veículos de luxo em endereços ligados aos investigados da Operação Indébito, ação que apura um esquema nacional de fraudes em aposentadorias e pensões do INSS.
A coluna apurou que as expressivas quantias em espécie foram localizadas com Igor Oliveira Freitas, apontado como secretário pessoal da advogada Cecília Rodrigues Mota, considerada uma das líderes da organização criminosa e presa na ação desta terça.
Segundo as investigações, Igor atuava diretamente na logística e nas operações do esquema, sendo responsável por movimentações financeiras e por dar suporte à principal investigada.
Deputada federal no alvo
A operação também tem como um dos alvos a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE), que deverá cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.
De acordo com a apuração, Gorete teria ligação com uma das associações investigadas e recebeu procuração para firmar acordos com o INSS, o que permitia a implementação de descontos diretamente nos benefícios de aposentados – sem qualquer autorização das vítimas.
As investigações também apontam que a parlamentar movimentou cerca de R$ 245 mil em transações consideradas suspeitas entre 2018 e 2023.
Operadores financeiros presos
Entre os principais nomes do esquema estão:
- Natjo de Lima Pinheiro – empresário do setor de saúde, apontado como um dos operadores financeiros, preso na ação
- Cecília Rodrigues Mota – advogada e integrante do núcleo operacional, também presa, que atuaria na coordenação do esquema com o uso de intermediários ("testas de ferro")
Segundo a Polícia Federal, o grupo utilizava dados falsos inseridos em sistemas oficiais para autorizar descontos indevidos diretamente nos contracheques de aposentados e pensionistas, sem qualquer consentimento das vítimas. A estimativa é que o esquema possa ter movimentado bilhões de reais em todo o país.
A operação
A Operação Indébito é um desdobramento da Operação Sem Desconto, revelada pelo Metrópoles. Ao todo, a PF cumpre 19 mandados de busca e apreensão, além de prisões e outras medidas cautelares no Distrito Federal e no Ceará. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça.
Os investigados podem responder por organização criminosa, estelionato previdenciário, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistemas públicos.