31 de julho de 2025
ação

Operação Indébito: PF encontra pilhas de dinheiro e carros de luxo em esquema de fraudes no INSS

Investigações apontam que grupo criminoso movimentou bilhões com descontos indevidos em aposentadorias; deputada federal é monitorada com tornozeleira

Por Redação
Publicado em
Investigações apontam que grupo criminoso movimentou bilhões com descontos indevidos em aposentadorias; deputada federal é monitorada com tornozeleira - Foto: PF

Durante o cumprimento de mandados na manhã desta terça-feira (17), a Polícia Federal encontrou pilhas de dinheiro vivo e veículos de luxo em endereços ligados aos investigados da Operação Indébito, ação que apura um esquema nacional de fraudes em aposentadorias e pensões do INSS.

A coluna apurou que as expressivas quantias em espécie foram localizadas com Igor Oliveira Freitas, apontado como secretário pessoal da advogada Cecília Rodrigues Mota, considerada uma das líderes da organização criminosa e presa na ação desta terça.

Segundo as investigações, Igor atuava diretamente na logística e nas operações do esquema, sendo responsável por movimentações financeiras e por dar suporte à principal investigada.

Deputada federal no alvo


A operação também tem como um dos alvos a deputada federal Maria Gorete Pereira (MDB-CE), que deverá cumprir medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica.

De acordo com a apuração, Gorete teria ligação com uma das associações investigadas e recebeu procuração para firmar acordos com o INSS, o que permitia a implementação de descontos diretamente nos benefícios de aposentados – sem qualquer autorização das vítimas.

As investigações também apontam que a parlamentar movimentou cerca de R$ 245 mil em transações consideradas suspeitas entre 2018 e 2023.

Operadores financeiros presos


Entre os principais nomes do esquema estão:


- Natjo de Lima Pinheiro – empresário do setor de saúde, apontado como um dos operadores financeiros, preso na ação

- Cecília Rodrigues Mota – advogada e integrante do núcleo operacional, também presa, que atuaria na coordenação do esquema com o uso de intermediários ("testas de ferro")

Segundo a Polícia Federal, o grupo utilizava dados falsos inseridos em sistemas oficiais para autorizar descontos indevidos diretamente nos contracheques de aposentados e pensionistas, sem qualquer consentimento das vítimas. A estimativa é que o esquema possa ter movimentado bilhões de reais em todo o país.

A operação


A Operação Indébito é um desdobramento da Operação Sem Desconto, revelada pelo Metrópoles. Ao todo, a PF cumpre 19 mandados de busca e apreensão, além de prisões e outras medidas cautelares no Distrito Federal e no Ceará. As ordens judiciais foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça.

Os investigados podem responder por organização criminosa, estelionato previdenciário, lavagem de dinheiro e inserção de dados falsos em sistemas públicos.

Leia também