Teste do pezinho: por que fazer até o 5º dia de vida do bebê é essencial para evitar sequelas
Exame gratuito do SUS identifica doenças genéticas e metabólicas antes dos sintomas; prazo correto garante precisão no diagnóstico e tratamento precoce
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Nos primeiros dias de vida, a rotina de cuidados com o bebê é intensa. Entre o choro, as mamadas e as noites mal dormidas, um exame simples, mas fundamental, não pode passar despercebido: o teste do pezinho. Realizado entre o terceiro e o quinto dia de vida, o procedimento é capaz de identificar doenças graves antes mesmo que os primeiros sintomas apareçam.
Oferecido gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o teste do pezinho é uma triagem neonatal que detecta doenças genéticas, metabólicas e infecciosas. O diagnóstico precoce permite o início imediato do tratamento, evitando sequelas irreversíveis.
"O teste do pezinho é um presente para os nossos filhos. Ele permite que algumas doenças genéticas, metabólicas e infecciosas sejam diagnosticadas e tratadas precocemente, evitando sequelas, como é o caso da fenilcetonúria", explica a endocrinologista pediátrica Paula R. Vargas.
Por que o prazo é tão importante?
Muitas famílias acreditam que o exame pode ser feito a qualquer momento no primeiro mês de vida. No entanto, a precisão do resultado depende diretamente do período correto da coleta.
"O bebê precisa ingerir proteínas por pelo menos 48 horas para que alterações possam ser detectadas. Se a coleta for feita muito cedo, pode ocorrer um resultado falso negativo. Se for feita tardiamente, a doença pode começar a causar danos antes mesmo do diagnóstico", alerta a médica.
O procedimento é simples e rápido. Ao contrário do que muitos imaginam, não se trata de uma "impressão" do pé, mas sim de uma pequena coleta de sangue realizada no calcanhar do bebê — região rica em vasos sanguíneos, que permite obter uma amostra adequada de forma segura.
O que o exame detecta?
No SUS, o teste do pezinho identifica atualmente sete doenças principais. Uma das mais conhecidas é a fenilcetonúria (PKU), uma doença genética rara em que o organismo não consegue metabolizar a fenilalanina, um aminoácido presente em alimentos ricos em proteínas, como carnes, ovos e leite.
Sem tratamento, a substância se acumula no organismo e pode causar danos graves ao cérebro, como atraso no desenvolvimento, convulsões, hiperatividade e deficiência intelectual. No Brasil, a estimativa é que a doença ocorra em cerca de um a cada 15 mil a 25 mil recém-nascidos.
Quando diagnosticada precocemente, a fenilcetonúria tem tratamento: uma dieta rigorosa com restrição de proteínas e o uso de fórmulas especiais que garantem a nutrição adequada. "Embora seja uma condição genética e sem cura, o tratamento permite que a criança tenha desenvolvimento normal quando iniciado precocemente", afirma Paula Vargas.
Atenção ao resultado
Não basta apenas realizar o teste. É fundamental que os pais busquem o resultado e compareçam à consulta de retorno. Como muitas doenças investigadas são silenciosas no início, uma alteração no exame pode ser o único sinal de alerta.
O SUS conta com um sistema de busca ativa: quando há alguma alteração, equipes de saúde entram em contato com a família para novos testes e confirmação do diagnóstico. A médica reforça que uma alteração no resultado inicial não significa necessariamente que a doença está confirmada — são necessários exames complementares.
"Quando há confirmação de algum diagnóstico, o primeiro passo é acolher e orientar os pais. Novas abordagens terapêuticas vêm sendo estudadas para facilitar o controle da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes", conclui a especialista.