31 de julho de 2025
ELEIÇÕES 2026

Após empate técnico, PT admite "cochilo" e Flávio vê acerto em estratégia moderada; eleição de 2026 ganha novo tom

Pesquisa Genial/Quaest mostra senador do PL empatado com Lula no 2º turno; petistas prometem reação com ataques e agenda positiva, enquanto bolsonaristas celebram consolidação da candidatura

Por Redação
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Presidente Lula aparece em empate técnico com Flávio Bolsonaro. - Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, apontado pela pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira (11), acendeu alertas no Planalto e inflou os ânimos na oposição. Os números, no entanto, são analisados com cautela por ambas as pré-campanhas, que reconhecem que a disputa ainda está longe de um desfecho a sete meses do primeiro turno, marcado para outubro.

Na mais recente pesquisa, Flávio subiu para 41% das intenções de voto, empatando numericamente com Lula, que oscilou para baixo. Em fevereiro, o levantamento do mesmo instituto trazia o petista à frente, com 43% contra 38% do senador.

Aliados do presidente Lula, ouvidos pela CNN sob reserva, admitiram que houve um "cochilo" do governo. A avaliação interna é que o Planalto falhou em criar uma agenda positiva neste início do ano eleitoral e deixou espaço para o adversário ocupar terreno. Para piorar, completam esses interlocutores, o governo não foi capaz de reagir à altura a crises que vêm sendo exploradas pela oposição, como o escândalo dos descontos irregulares do INSS e a fraude financeira envolvendo o Banco Master.

Para petistas, o crescimento de Flávio também se deu por um erro de estratégia do próprio partido, que evitou partir para o ataque ao senador quando ele foi anunciado pelo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, como candidato ao Planalto. A ideia era segurar as críticas até pelo menos o fim do prazo de desincompatibilização de cargos, no início de abril, com receio de que um eventual desempenho ruim de Flávio nas pesquisas pudesse fazer o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, deixar o cargo para se lançar à Presidência.

Agora, a reação virá em duas frentes, segundo relatos à CNN: enquanto o governo se encarregará de tentar emplacar uma agenda positiva, o PT deve partir para ataques diretos ao senador, que vem tentando se apresentar como uma versão mais moderada do próprio pai.

Do lado da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, os números da pesquisa são vistos como a confirmação de que a estratégia adotada pelo senador começa a dar resultado, embora reconheçam que ele também tem sido beneficiado pelos erros do próprio governo Lula.

O ponto mais celebrado pelo entorno do filho do ex-presidente foi justamente o fato de ele ter conseguido ampliar as intenções de voto entre eleitores independentes. A percepção é que esse resultado já é efeito de um discurso menos radicalizado do que o do próprio pai, uma tentativa deliberada de atrair o eleitor moderado que rejeita o estilo bolsonarista tradicional.

Outra leitura dentro do grupo político é que a pesquisa consolida levantamentos de outros institutos de que o parlamentar rompeu a "barreira da inviabilidade eleitoral" que parte do eleitorado atribuía à sua candidatura. Interlocutores também atribuem o desempenho à forte presença nas redes sociais e ao aumento da visibilidade nacional de Flávio desde que seu nome passou a ser tratado como o principal representante do bolsonarismo na disputa presidencial.

A pré-campanha do senador agora se prepara para reagir à ofensiva do PT, que deve tentar desconstruir a imagem moderada que Flávio vem construindo. Além disso, o senador deve começar na próxima semana a viajar pelo país, com agendas previstas no Nordeste e no Sul, para consolidar sua presença nacional.

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