31 de julho de 2025
Guerra no Irã

Gasolina vai ficar mais cara após guerra no Irã? Entenda os riscos e impactos no Brasil

Ataques a refinarias e fechamento do Estreito de Ormuz elevam incerteza sobre abastecimento global e podem afetar inflação, juros e combustíveis no país

Por Redação
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Gasolina vai ficar mais cara após guerra no Irã? Entenda os riscos e impactos no Brasil - Foto: Fernando Frazão / Agência Brasil

A escalada do conflito entre Irã e países do Oriente Médio fez disparar o preço do petróleo no mercado internacional e acendeu o alerta sobre o impacto na economia brasileira. Especialistas e autoridades ainda avaliam se os efeitos serão passageiros ou se representam uma mudança estrutural nos preços de combustíveis e energia.

Os ataques a refinarias e instalações de petróleo no Irã, Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes, Arábia Saudita e Catar, aliados ao bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial — geraram temores sobre o abastecimento global. Nesta quarta-feira (11/3), três navios na região foram atingidos por projéteis desconhecidos, aumentando a tensão.

No início da semana, o preço do barril de petróleo Brent, referência global, saltou de menos de US$ 90 para US$ 120. Após declarações do presidente americano Donald Trump, sugerindo que o conflito poderia ser resolvido rapidamente, os preços recuaram e se estabilizaram próximos de US$ 90.

Para analistas, a dúvida é se os aumentos são temporários ou se representam um novo patamar do petróleo, acima dos US$ 60–70 registrados antes do conflito. "Se o petróleo se estabilizar entre US$ 100 e US$ 110, haverá reprecificação da inflação global, porque ele é matéria-prima da indústria", afirma Jerson Zanlorenzi, sócio do BTG Pactual.

Diante do cenário, a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou a liberação de 400 milhões de barris de reservas estratégicas, em uma ação coletiva sem precedentes, para tentar compensar a perda de abastecimento.

Impacto no Brasil

O aumento dos combustíveis já é sentido em países como EUA e na Europa. Dados da AAA mostram que nos EUA a gasolina subiu 11% na primeira semana do conflito. No Brasil, relatos de reajustes de até R$ 0,80 no diesel e R$ 0,30 na gasolina foram registrados em alguns estados, mesmo sem alterações oficiais da Petrobras.

Apesar de o país ser autossuficiente na produção de petróleo, a etapa de refino — controlada majoritariamente pela Petrobras — é sensível a choques internacionais. Especialistas afirmam que a estatal consegue “amortecer” os aumentos, mas alertam para riscos caso o preço do barril permaneça alto por longo período.

Pedro Rodrigues, do CBIE, destaca: "Se o petróleo continuar subindo e os preços se estabilizarem em patamar mais alto, é difícil a Petrobras não repassar o aumento, sob risco de falta de combustível em algumas regiões."

Inflação, juros e contas públicas

Um preço elevado e prolongado do petróleo pode pressionar a inflação, elevar juros e afetar as contas públicas. Estudos da XP indicam que se o barril permanecer em torno de US$ 100, o IPCA de 2026 poderia subir de 3,8% para quase 5%. Por outro lado, a balança comercial e a arrecadação de royalties do governo federal poderiam ser beneficiadas pelo aumento do preço internacional.

A situação permanece incerta, com cenários dependentes da duração do conflito e da reação de bancos centrais, inclusive o Copom no Brasil. “É preciso entender se o choque é pontual ou se a mudança de preço será estrutural”, conclui Rodrigues.