Irã anuncia que não disputará a Copa do Mundo de 2026: "Não temos a menor intenção de participar"
Ministro dos Esportes cita assassinato do líder supremo e guerra com EUA e Israel como motivos para boicote; seleção iraniana estava no Grupo G ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia
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O Ministro dos Esportes do Irã, Ahmad Donjamali, anunciou nesta quarta-feira (11) que o país não participará da Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México. A declaração foi feita em pronunciamento na televisão estatal e pegou o mundo do futebol de surpresa, já que a seleção iraniana estava classificada para o torneio desde novembro do ano passado.
"Desde que este governo corrupto assassinou nosso líder, não temos a menor intenção de participar da Copa do Mundo", declarou Donjamali, em referência direta aos ataques que mataram o aiatolá Ali Khamenei no dia 28 de fevereiro, primeiro dia das operações militares conjuntas de Estados Unidos e Israel contra o Irã.
O ministro afirmou que "medidas malignas" foram tomadas contra o país, obrigando o Irã a entrar em "duas guerras" e resultando na morte de "milhas de cidadãos". "Não temos absolutamente nenhuma chance de participar", completou.
A competição está marcada para acontecer entre 11 de junho e 19 de julho deste ano. A seleção iraniana havia garantido vaga e estava no Grupo G, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia.
Reação da Fifa e de Trump
Na terça-feira (10), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversou por telefone com o presidente da Fifa, Gianni Infantino. Durante a ligação, o dirigente máximo do futebol mundial questionou justamente sobre a participação iraniana, e Trump teria afirmado que não haveria nenhum problema.
A decisão do Irã, no entanto, escancara o agravamento das relações entre os dois países em meio ao conflito no Oriente Médio e coloca a Fifa em uma situação delicada a poucos meses do início do torneio.
Crise no Estreito de Ormuz
Paralelamente ao anúncio sobre a Copa, o Irã reafirmou nesta quarta que não permitirá a passagem de petroleiros de propriedade dos Estados Unidos pelo Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo.
O porta-voz do Comando Conjunto do Exército Iraniano e da Guarda Revolucionária Islâmica afirmou que o governo iraniano não permitirá que "nem uma gota de petróleo passe pelo Estreito de Ormuz em benefício dos Estados Unidos e seus aliados". Ele também declarou que embarcações americanas, israelenses e de aliados são consideradas "alvos legítimos".
Ao menos três embarcações foram atingidas nas últimas horas na região. Segundo a Autoridade de Operações de Comércio Marítimo do Reino Unido (UKMTO), um navio foi atingido por um "projétil desconhecido" a 50 milhas náuticas a noroeste de Dubai. Um navio cargueiro de bandeira tailandesa pegou fogo e foi evacuado após ser atingido ao norte de Omã. Outro cargueiro também foi atacado na costa dos Emirados Árabes Unidos .
De acordo com a UKMTO, 13 navios já foram atacados desde o início da guerra.