João Fonseca dá trabalho, mas Sinner vence em Indian Wells: brasileiro faz história e impressiona
Em sua melhor campanha em um Masters 1000, carioca de 19 anos enfrenta o número 2 do mundo de igual para igual e perde por dois tie-breaks; atuação consagra jovem promessa do tênis nacional
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O sol já havia se posto no deserto da Califórnia, mas João Fonseca acendeu uma chama de esperança no coração do torcedor brasileiro. Nesta terça-feira (10), o jovem carioca de 19 anos fez a sua despedida do Masters 1000 de Indian Wells, mas não sem antes protagonizar um duelo épico contra o número 2 do mundo, o italiano Jannik Sinner. Apesar da derrota por 2 sets a 0, com dois tie-breaks apertados (7/6 (8-6) e 7/6 (7-4)), Fonseca deixou a quadra principal sob aplausos e com a certeza de que seu nome já ecoa forte no circuito internacional.
A partida foi um verdadeiro teste de fogo para o brasileiro, que enfrentou um dos melhores tenistas da atualidade. Longe de se intimidar, Fonseca devolveu cada ponto com personalidade, mostrando uma maturidade impressionante para a idade. Ele não só competiu, como também pressionou Sinner em momentos cruciais, algo que poucos conseguem fazer.
Desde o aquecimento, dava para sentir que não seria um jogo comum. Fonseca entrou em quadra com a confiança de quem já havia derrotado nomes como Karen Khachanov e Tommy Paul na caminhada até as oitavas. E ele confirmou esse favoritismo moral logo nos primeiros games.
O primeiro set foi um estudo de tênis de alto nível. Sinner, com seu tênis preciso e potente, tentava ditar o ritmo, mas Fonseca respondia à altura. O brasileiro abusou das variações, alternando bolas pesadas de fundo de quadra com deixadinhas que surpreendiam o italiano. O resultado foi um equilíbrio absoluto, com ambos confirmando seus serviços sem dar chances para quebras.
A decisão, como não poderia deixar de ser, foi para o tie-break. E foi ali que Fonseca quase tirou o fôlego do mundo. Com uma vantagem inicial, o brasileiro teve três set points para fechar a parcial. Mas Sinner, com a frieza de quem já conquistou títulos de Grand Slam, salvou todos e, com um tênis agressivo, virou o desempate para vencer por 8-6. Foi um golpe duro, mas a mensagem estava clara: o garoto brasileiro não estava ali para passear.
No segundo set, a experiência de Sinner parecia que iria prevalecer. O italiano conseguiu a primeira quebra de saque da partida e abriu vantagem no placar, dando sinais de que poderia fechar o jogo com mais tranquilidade. Mas Fonseca mostrou que seu jogo não se baseia apenas em talento, mas também em uma força mental invejável.
Com um game perfeito de saque e uma devolução agressiva, o brasileiro devolveu a quebra e recolocou o jogo nos eixos. A partir dali, o duelo voltou a ser equilibrado, com os dois tenistas trocando pontos espetaculares e forçando o segundo tie-break consecutivo.
Novamente, o desempate foi um capítulo à parte. Fonseca conseguiu um mini break e sonhava com o terceiro set, mas Sinner, mais uma vez, usou sua experiência para virar o placar. Com duas quebras, o italiano fechou o tie-break em 7-4 e selou a vitória.
Se a despedida veio com o gosto amargo da derrota, a campanha de João Fonseca em Indian Wells fica na memória como um marco. Ao chegar nas oitavas de final de um Masters 1000, o brasileiro alcançou sua melhor posição em torneios deste porte e confirmou o momento de ascensão meteórica no circuito mundial.
Mais do que as vitórias sobre Collignon, Khachanov e Paul, foi a atuação contra o número 2 do mundo que consolidou a impressão de que o tênis brasileiro pode, enfim, ter encontrado um novo herói. Aos 19 anos, Fonseca mostrou que tem personalidade, variação tática e mentalidade para competir de igual para igual com os gigantes do esporte. Com Sinner nas quartas, o torneio segue, mas o Brasil já sai de Indian Wells com a certeza de que seu futuro chegou.