31 de julho de 2025
busca e apreensão

Operação Metástase: polícia do RJ mira quadrilha que roubou R$ 33 milhões em remédios para câncer

O grupo utilizava empresas de fachada para revender os insumos e é suspeito de abastecer até mesmo a rede pública de saúde com produtos de origem ilícita

Por Redação
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O grupo utilizava empresas de fachada para revender os insumos e é suspeito de abastecer até mesmo a rede pública de saúde com produtos de origem ilícita - Foto: Reprodução

A Polícia Civil do Rio de Janeiro deflagrou, nesta terça-feira (21), uma operação interestadual para desarticular uma organização criminosa especializada no roubo e na receptação de medicamentos oncológicos e imunossupressores de alto custo. O grupo utilizava empresas de fachada para revender os insumos e é suspeito de abastecer até mesmo a rede pública de saúde com produtos de origem ilícita. Entre 2025 e 2026, a movimentação financeira da quadrilha ultrapassou a marca de R$ 33 milhões.

Batizada de Operação Metástase, a ação é coordenada pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-CAP), após meses de investigações baseadas em monitoramento, quebra de sigilos fiscais, financeiros e telemáticos, além do rastreamento dos lotes roubados.

Os mandados de prisão e de busca e apreensão são cumpridos simultaneamente nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Goiás e Pará. Por determinação judicial, foram bloqueados R$ 30 milhões em contas bancárias vinculadas aos investigados, além do sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros ativos do grupo.

Em solo paulista, a ofensiva conta com o suporte do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), que mobilizou mais de 100 agentes na capital e em municípios como Guarulhos, Guarujá, Jundiaí, Mauá e São Caetano do Sul. Até as primeiras horas da manhã, um homem havia sido preso em São Paulo, onde também foram apreendidas três armas de fogo e uma quantidade de medicamentos de alto custo.

Armazenamento no Complexo da Maré e aliciamento


Segundo as autoridades fluminenses, a organização criminosa está vinculada a pelo menos 40 roubos de cargas recentes. O esquema contava com o aliciamento de funcionários de transportadoras, que repassavam informações privilegiadas sobre rotas e o valor das mercadorias.

Após os assaltos, os medicamentos eram levados para o Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio — área sob a influência da facção Terceiro Comando Puro (TCP). No local, os insumos eram estocados, fracionados e posteriormente distribuídos para outros estados por meio de transportadoras e o uso de "laranjas". Ao todo, a polícia identificou 25 empresas de fachada criadas para reinserir os produtos no mercado formal.

Fraudes em licitações e risco à saúde pública


A investigação apontou que os remédios eram vendidos para hospitais privados e inseridos de forma fraudulenta em licitações de órgãos públicos de saúde através da modalidade de tomada de preços. Ao oferecer valores muito abaixo do mercado, as empresas ligadas à quadrilha venciam os certames.

A Polícia Civil alerta que a prática gera um grave risco à vida dos pacientes. Medicamentos contra o câncer e imunossupressores necessitam de um controle rigoroso de refrigeração e manuseio. O armazenamento inadequado pode anular a eficácia do tratamento, causar contaminações ou tornar as substâncias tóxicas. Além disso, os roubos sistemáticos prejudicam o abastecimento regular de hospitais, ameaçando a continuidade do tratamento de pacientes oncológicos e transplantados.