31 de julho de 2025
RIO DE JANEIRO

PF prende policiais civis suspeitos de usar delegacia para extorquir traficantes do Comando Vermelho no Rio

Investigação aponta que delegado e outros agentes emitiam intimações falsas para pressionar líderes do CV a pagar propina; esquema movimentou milhões

Por Redação
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Cerca de 40 policiais federais cumprem quatro mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão - Foto: Polícia Federal/Divulgação

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (10), mais uma fase da Operação Anomalia para desarticular um núcleo criminoso formado por policiais civis suspeitos de usar a estrutura do Estado para extorquir traficantes no Rio de Janeiro. Cerca de 40 agentes cumprem quatro mandados de prisão preventiva e três mandados de busca e apreensão na capital fluminense.

As ordens foram expedidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Além das prisões e buscas, a Corte autorizou o afastamento imediato dos policiais investigados de suas funções públicas, a suspensão de atividades empresariais ligadas aos alvos e o bloqueio de valores em contas bancárias e criptoativos relacionados ao esquema.

De acordo com as investigações, os policiais utilizavam a própria estrutura de uma delegacia da capital para intimidar integrantes do Comando Vermelho (CV) e exigir pagamentos em troca da omissão em atos de ofício. O esquema seria liderado por um delegado titular de uma unidade policial e por outro policial civil, que passaram a emitir intimações com o objetivo exclusivo de pressionar lideranças do tráfico e exigir o pagamento de propinas. As cobranças eram feitas de forma reiterada e acompanhadas da imposição de prazos.

Para evitar contato direto com os traficantes, os policiais investigados teriam utilizado dois intermediários responsáveis por operacionalizar o recebimento das vantagens indevidas. A estratégia, segundo a investigação, servia para manter distância entre os servidores públicos e as lideranças da organização criminosa.

As apurações também identificaram movimentações patrimoniais milionárias consideradas incompatíveis com os salários recebidos pelos policiais. A análise de inteligência financeira apontou que o dinheiro obtido com o esquema teria sido ocultado por meio de uma rede de empresas de fachada registradas em nomes de familiares. Por decisão judicial, essas empresas tiveram as atividades suspensas.

Os investigados poderão responder, conforme o grau de participação, pelos crimes de organização criminosa, extorsão, corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.

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