31 de julho de 2025
CRAÍBAS

Mulheres ocupam mineradora e denunciam contaminação de rios e rachaduras em casas no Agreste de Alagoas

Cerca de 500 manifestantes integram Jornada Nacional de Luta contra a mineração predatória; movimento cobra audiência com governador Paulo Dantas

Por Redação
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Manifestação denuncia os impactos da mineradora na região e cobra atenção do Poder Público para o caso - Foto: Reprodução

Na manhã desta segunda-feira (9), cerca de 500 mulheres ocupam as instalações da Mineração Vale Verde, na cidade de Craíbas, no Agreste de Alagoas. A ação, que integra a Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, denuncia os impactos ambientais e sociais provocados pela mineradora na região.

Além de integrantes do MST, participam do ato representantes do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Campo (MTC), da Frente Nacional de Luta (FNL), Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), Movimento Popular de Luta (MPL), o Movimento Via do Trabalho (MVT), a Comissão Pastoral da Terra (CPT), Movimento Terra Livre, além de integrantes dos movimentos populares da região.

Presente na região desde 2007, a Mineração Vale Verde tem o objetivo de realizar o "Projeto Serrote" no Agreste de Alagoas, para a abertura de uma mina a céu aberto para o beneficiamento e produção do concentrado de cobre para exportação, com investimento estimado em mais de R$ 700 milhões.

Desde o início de seu funcionamento, uma série de denúncias surgiram na região, incluindo contaminação de rios, morte precoce de animais, tremores de terra e rachaduras em casas. Os relatos dos moradores apontam também que explosões frequentes utilizadas no processo de extração mineral estão afetando diretamente comunidades vizinhas, trazendo insegurança para as famílias que vivem no território.

Durante o ato, as mulheres reafirmam a necessidade de barrar os avanços da mineração predatória na região e defender a vida das populações atingidas, em consonância às diversas denúncias que a mineradora tem recebido no último período.

A mobilização pauta ainda a necessidade de avançar na Reforma Agrária no estado. Os movimentos demandam uma audiência com o governador Paulo Dantas (MDB) para retomar a discussão em torno das terras da massa falida do Grupo João Lyra, bem como a exigência imediata da suspensão dos despejos das famílias acampadas hoje em Alagoas.

Em suas faixas, cartazes e palavras de ordem, as manifestantes reafirmam o papel da distribuição de terra para a produção de alimentos saudáveis, gerando emprego e renda para o desenvolvimento de Alagoas, aliado à preservação dos bens da natureza e da vida digna de mulheres e homens no campo, contrapondo às ações da mineração.

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