31 de julho de 2025
RIO DE JANEIRO

Colégio abre processo para expulsar alunos acusados de estupro coletivo: "Não podemos tolerar a barbárie"

Quatro jovens são considerados foragidos da Justiça após denúncia por crime ocorrido em janeiro; vítima, de 17 anos, foi atraída por ex-namorado e violentada por grupo

Por Redação
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Polícia apura estupro coletivo contra adolescente em Copacabana e buscas por 4 homens e 1 menor. - Foto: Reprodução

A Reitoria do Colégio Pedro II e a Direção-Geral do campus Humaitá II anunciaram, nesta segunda-feira (2), a abertura de processo administrativo para desligar quatro estudantes denunciados por participação em um estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos. O crime ocorreu na noite de 31 de janeiro, em um apartamento no bairro de Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro.

Os denunciados são Bruno Felipe dos Santos Allegretti e Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos, além de João Gabriel Xavier Bertho e Mattheus Verissimo Zoel Martins, de 19 anos. Eles respondem por estupro com concurso de pessoas e são considerados foragidos da Justiça, já que mandados de prisão preventiva foram expedidos, mas os suspeitos não foram localizados nos endereços informados. Um adolescente de 17 anos, que teria atraído a vítima ao local, também é investigado por ato infracional análogo ao crime, e o caso foi desmembrado para a Vara da Infância e Juventude.

Em nota enviada à comunidade escolar, a instituição pública federal de ensino afirmou que adotou medidas imediatas ao tomar conhecimento da denúncia, incluindo o acolhimento à família da vítima e a preservação do sigilo solicitado pelas autoridades. "Estamos todos indignados com o ocorrido e seguimos com os procedimentos para continuidade de processo iniciado pela gestão do campus. Não podemos tolerar a barbárie brutal da violência de gênero vivenciada a cada hora em nosso país. Unidos na indignação, nos solidarizamos com todas as mulheres de nossa comunidade. Porque a dor de uma de nós é a dor de todas nós", diz trecho do comunicado.

Polícia busca suspeitos de estupro coletivo de menor em Copacabana - Reprodução/ TV Globo

A emboscada planejada

Segundo as investigações da 12ª DP (Copacabana), chefiadas pelo delegado Ângelo Lajes, o crime foi uma "emboscada planejada" . A vítima foi convidada por um adolescente, seu ex-namorado e colega de escola, para ir ao apartamento de um amigo na Rua Ministro Viveiros de Castro. Ele sugeriu que ela levasse uma amiga, mas a adolescente foi sozinha. Ao chegar, foi levada a um quarto e, enquanto mantinha relação com o rapaz, outros quatro jovens entraram no local.

Em depoimento, a vítima relatou que concordou que os amigos permanecessem no quarto desde que não a tocassem, mas eles teriam tirado a roupa, passado a beijá-la e apalpá-la, forçando-a a praticar sexo oral e sofrendo penetração por todos. Ela afirmou ainda ter levado tapas, socos e um chute na região abdominal, sendo impedida de sair do cômodo .

O exame de corpo de delito apontou lesões compatíveis com violência física, incluindo infiltrado hemorrágico e escoriação na região genital, além de sangue no canal vaginal e equimoses nas costas e nádegas.

Imagens e mensagens

Câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens e, posteriormente, a entrada da adolescente acompanhada pelo menor suspeito. As imagens mostram a vítima deixando o imóvel e, após acompanhá-la até a saída, o adolescente retornando ao apartamento e fazendo gestos interpretados pela polícia como de "comemoração". Conversas por WhatsApp anexadas ao inquérito mostram o convite e a combinação do encontro.

O que diz a defesa

A defesa de João Gabriel Xavier Bertho, atleta afastado do Serrano Football Club, negou a ocorrência de estupro. Em nota, os advogados afirmaram que "a jovem afirma, em seu depoimento à polícia, ter permitido a presença dos rapazes no quarto enquanto ela e o amigo estavam tendo um encontro íntimo" e contestaram que "a imagem da jovem ao fim do encontro, se despedindo do amigo com um sorriso e um abraço, não tenha sido objeto da investigação". O G1 e a TV Globo tentam contato com a defesa dos outros jovens.

Investigação em andamento

A Polícia Civil informou que recebeu relatos informais, principalmente por meio de redes sociais, sobre possíveis outras vítimas do mesmo grupo, e que dois dos investigados têm antecedentes por rixa. Informações sobre o paradeiro dos foragidos podem ser repassadas ao Disque Denúncia pelos telefones (21) 2253-1177 ou 0300-253-1177. O anonimato é garantido.

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