31 de julho de 2025
CONGRESSO

Ex-secretária do "Careca do INSS" diz em CPMI que tinha acesso a cofre, mas nega saber origem do dinheiro

Aline Cabral afirmou que repassava valores ao motorista sob orientação do chefe e que empresário se apresentava como "bem-sucedido"; depoimento foi marcado por direito ao silêncio e negativas sobre relação com filho de Lula

Por Redação
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Aline Bárbara Mota de Sá Cabral - Foto: Lula Marques/Agência Brasil

A ex-secretária do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", prestou depoimento nesta segunda-feira (2) à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social. Aline Bárbara Mota de Sá Cabral afirmou que tinha acesso ao cofre da empresa e repassava dinheiro ao motorista para pagamentos de insumos, sempre sob orientação do chefe, mas disse desconhecer a origem dos recursos.

"Eu não tinha acesso a contas bancárias e não fazia pagamentos. Quando ele me contratou, se apresentou como um empresário de sucesso, então não tinha por que eu questionar de onde vinha o dinheiro", declarou. Ela não soube precisar quanto havia no cofre.

Aline também negou ter feito anotações relacionando porcentagens a agentes públicos e afirmou que, à época da deflagração da Operação Sem Desconto, pela Polícia Federal, já não era mais secretária do investigado.

No início do depoimento, a ex-secretária teve habeas corpus concedido pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), garantindo-lhe o direito de permanecer em silêncio. Apesar disso, optou por responder a alguns questionamentos dos parlamentares.

Questionada pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) sobre supostos pagamentos ou repasses a Fábio Luís da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, Aline negou qualquer envolvimento. "Não comprei passagem nem repassei qualquer recurso para ele", afirmou.

O nome de Lulinha surgiu nas investigações como possível sócio oculto do "Careca do INSS". Na semana passada, a CPMI aprovou a quebra de seu sigilo, em uma votação marcada por tumulto e questionamentos de parlamentares da base governista.

A ex-secretária, que chegou a ocupar o cargo de gerente de recursos humanos, confirmou saber que o empresário possuía carros de luxo, como Porsche e Mercedes, mas reiterou que não participava de decisões estratégicas sobre a destinação dos recursos da empresa.

A comissão também tinha programado para esta segunda o depoimento do advogado Cecílio Galvão, que foi adiado. A condução coercitiva foi mantida, e ele deverá prestar depoimento na próxima quinta-feira (5). Galvão é investigado por supostos contratos milionários com associações suspeitas de desviar benefícios previdenciários.

O "Careca do INSS" é o principal alvo da Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos indevidos em aposentadorias sem autorização dos beneficiários, por meio de associações de fachada.

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