31 de julho de 2025
saúde

Caminhada emagrece? Especialista explica quantos passos dar e o que considerar

Atividade física acessível e democrática ajuda na perda de peso, mas não faz milagres sozinha; entenda o papel da alimentação, da intensidade e da constância

Por Redação
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Atividade física acessível e democrática ajuda na perda de peso, mas não faz milagres sozinha; entenda o papel da alimentação, da intensidade e da constância - Foto: Freepik

A ideia de que caminhar diariamente pode ser suficiente para emagrecer voltou a ganhar destaque nas discussões sobre saúde e bem-estar, impulsionando dúvidas sobre quanto tempo e quantos passos seriam realmente necessários para promover a perda de peso. Embora a proposta pareça simples — andar mais para pesar menos —, especialistas alertam que o processo é mais complexo do que apenas atingir uma meta diária registrada no relógio ou em aplicativos de monitoramento físico.

Considerada uma das atividades físicas mais democráticas e acessíveis, a caminhada apresenta benefícios amplamente comprovados para o sistema cardiovascular, controle glicêmico, saúde mental e longevidade. No entanto, quando o objetivo é redução de gordura corporal, fatores como alimentação, intensidade do exercício e constância ao longo do tempo tornam-se determinantes.

Caminhar ajuda, mas não faz milagre
Segundo a endocrinologista Anna Karina Medeiros, a caminhada deve ser entendida como parte de uma estratégia metabólica mais ampla, e não como solução isolada.

“A caminhada por si só não é geralmente suficiente para a perda de peso. Ela auxilia, sim, mas o principal fator para emagrecer continua sendo manter uma dieta com restrição calórica adequada”, explica.

Isso ocorre porque o emagrecimento depende diretamente do chamado déficit energético, quando o organismo gasta mais calorias do que consome. A atividade física contribui para aumentar esse gasto, mas dificilmente compensa excessos alimentares isoladamente.

O mito do número mágico de passos


Nos últimos anos, a meta de passos diários tornou-se um dos principais indicadores de estilo de vida saudável. Ainda assim, a especialista explica que não existe um valor universal capaz de garantir emagrecimento.

“Não existe um número mínimo definido. Além da quantidade de passos, a intensidade e o padrão do movimento também influenciam muito nos resultados”, afirma.

Estudos populacionais mostram que a partir de cerca de 7 mil passos por dia já é possível observar benefícios relevantes, incluindo melhora do peso corporal, da pressão arterial e da saúde metabólica.

O importante, segundo a médica, é compreender que o impacto ocorre de forma progressiva: “Cada incremento no número de passos contribui para melhora da saúde e do peso corporal. O mais importante é aumentar gradualmente o nível de atividade física.”

Afinal, os 10 mil passos funcionam?


Popularizada inicialmente por campanhas de saúde e dispositivos eletrônicos, a meta dos 10 mil passos deixou de ser apenas simbólica e passou a ser respaldada por evidências científicas.

“Diversos estudos mostram que atingir ou superar 10 mil passos por dia está associado à redução de peso, diminuição da gordura corporal e melhora do risco cardiovascular. Mas o resultado depende da manutenção dessa rotina por vários meses”, destaca a endocrinologista.

A constância, portanto, tende a ser mais relevante do que esforços intensos e pontuais.

Intensidade e volume: o que diz a OMS


Apesar da crescente valorização de treinos curtos e intensos, a caminhada segue respondendo melhor ao aumento do volume semanal de atividade.

“Para perder peso, o aumento do tempo total de caminhada está diretamente associado a maiores reduções de peso, independentemente da intensidade prescrita”, pontua Anna Karina.

De acordo com recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), adultos devem acumular pelo menos 300 minutos semanais de atividade física moderada quando o objetivo é potencializar o emagrecimento e reduzir riscos metabólicos. Isso equivale, por exemplo, a cerca de 50 a 60 minutos de caminhada em cinco dias da semana.

Caminhar em jejum: estratégia ou risco?


A prática de exercícios aeróbicos em jejum tornou-se popular entre pessoas que buscam acelerar a queima de gordura. Embora existam estudos que apontem maior utilização de gordura como fonte energética nesse contexto, os resultados ainda são discutidos.

“Alguns estudos sugerem aumento da oxidação de gordura, mas não está claro se isso traz vantagem real em relação ao exercício após alimentação”, pondera a médica.

A endocrinologista reforça que o método não é indicado para todos: “Há maior risco para idosos, diabéticos em uso de insulina, pessoas com baixo peso ou tendência à hipoglicemia.”

Terrenos inclinados e variações de ritmo


Subidas e inclinações elevam o esforço muscular e cardiopulmonar. “Caminhar em ladeiras exige maior ativação dos músculos das pernas e pode ser especialmente benéfico para pessoas com obesidade”, explica.

Alternar ritmos, inserir trechos mais rápidos ou variar o terreno são estratégias capazes de tornar o exercício metabolicamente mais eficiente sem necessariamente aumentar o tempo total.

Após os 40 anos: atenção à massa muscular


Com o avanço da idade, ocorre uma redução natural da massa muscular — processo conhecido como sarcopenia —, o que pode dificultar o emagrecimento.

“A estratégia não precisa ser diferente, mas pessoas acima dos 40 anos devem realizar avaliação médica antes de iniciar atividades moderadas ou intensas”, orienta a especialista.

Segundo Anna Karina, a caminhada isolada promove apenas ganhos musculares discretos, principalmente nos membros inferiores. “O ideal é associar exercícios de resistência, como musculação, para preservar massa muscular e melhorar os resultados corporais.”

Quando os resultados começam a aparecer?


O tempo de resposta varia conforme fatores individuais, como metabolismo, alimentação e frequência da prática.

“Em geral, em cerca de oito semanas já podemos observar mudanças na composição corporal quando há regularidade”, afirma.

Ainda assim, a médica alerta que apostar exclusivamente em exercícios aeróbicos pode trazer consequências: “Existe risco de perda de massa muscular, principalmente quando a atividade é prolongada e não há ingestão adequada de proteínas.”

Como começar com segurança


Para quem está sedentário, o principal objetivo inicial deve ser criar consistência.

“Recomendamos iniciar de forma leve, respeitando limitações físicas, e aumentar progressivamente o tempo e a intensidade”, conclui.

A orientação final reforça que o emagrecimento sustentável depende da combinação entre movimento, alimentação equilibrada e acompanhamento profissional. “Para perda de peso, o ideal é atingir cerca de 300 minutos semanais de atividade moderada, sempre após avaliação médica para garantir segurança.”

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