Estudo alerta para aumento no uso de canetas emagrecedoras entre mulheres no pós-parto
Especialistas chamam atenção para pressão estética e falta de evidências claras sobre segurança dessas medicações no período após o nascimento.
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Um estudo recente revelou que a procura por canetas emagrecedoras, medicamentos injetáveis originalmente indicados para tratamento da diabetes tipo 2 e, em doses mais altas, de obesidade, tem crescido entre mulheres no período pós-parto em busca de recuperação rápida do peso corporal após a gestação.
Os pesquisadores que analisaram dados dinamarqueses entre 2018 e 2024 observaram um aumento expressivo no uso desses medicamentos nos primeiros meses após o parto. Em 2018, havia menos de cinco prescrições para cada 10 mil nascimentos nos primeiros seis meses pós-parto; seis anos depois, esse número subiu para cerca de 173 prescrições por 10 mil nascimentos analisados.
O que chama a atenção dos especialistas é que muitas mulheres recorrem a esses tratamentos para acelerar a perda de peso corporal acumulado durante a gravidez, pressionadas por padrões estéticos que associam rapidamente “voltar ao corpo de antes” como sinal de recuperação pós-gestação.
Embora as canetas emagrecedoras, que incluem medicamentos contendo substâncias como semaglutida (comercializada como Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (como Mounjaro), atuem reduzindo o apetite e favorecendo a adesão a uma dieta com déficit calórico quando usadas corretamente, os efeitos e a segurança dessas medicações no período de pós-parto ainda não são totalmente conhecidos. Estudos indicam que a semaglutida pode não passar para o leite materno em quantidades mensuráveis, mas isso não garante segurança absoluta durante a amamentação, e os efeitos a longo prazo sobre o bebê e o metabolismo materno ainda não foram bem estabelecidos.
Especialistas em saúde destacam que o uso dessas drogas deve ocorrer sempre com acompanhamento médico rigoroso e indicação clínica apropriada, e não como atalho cosmético para perda de peso. Eles alertam que a medicalização rápida da perda de peso no pós-parto pode mascarar ou agravar problemas emocionais e fisiológicos naturais desse período, como ansiedade, depressão pós-parto e padrões de compulsão alimentar.
Além disso, estudos recentes sugerem que os benefícios de perda de peso obtidos com essas medicações podem desaparecer rapidamente após a interrupção do uso, e há o risco de reganho de peso acelerado quando o tratamento não é acompanhado por mudanças duradouras no estilo de vida.
Diante desse cenário, médicos e pesquisadores recomendam que mulheres no pós-parto busquem orientação médica antes de iniciar qualquer tratamento medicamentoso para emagrecimento e considerem a importância de hábitos saudáveis e de tempo de recuperação natural do corpo após a gestação.