31 de julho de 2025
MUNDO

EUA e Israel atacam Irã, que responde com mísseis; Teerã é alvo de bombardeios

Explosões atingem capital e outras quatro cidades; Trump diz que objetivo é destruir programa nuclear iraniano e 'proteger o povo americano'

Por Redação
Publicado em
Fumaça sobe no horizonte após uma explosão em Teerã, Irã, sábado, 28 de fevereiro de 2026. - Foto: Reprodução/AP

Estados Unidos e Israel lançaram um ataque coordenado contra o Irã no início da manhã deste sábado (28). Explosões foram registradas na capital Teerã e em pelo menos outras quatro cidades iranianas: Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah. Em resposta, o Irã disparou mísseis contra território israelense, onde sirenes de alerta foram acionadas. O espaço aéreo iraniano foi fechado.

Até o momento, não há informações oficiais sobre danos, mortos ou feridos. Fontes ouvidas pela agência Reuters informaram que o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, não está em Teerã, mas não detalharam seu paradeiro. A agência estatal IRNA afirmou que o presidente Masoud Pezeshkian está em segurança. Relatos indicam que mísseis atingiram áreas próximas ao palácio presidencial e a instalações utilizadas pelo líder supremo.

Explosões e sirenes de alerta também foram registradas em outros países da região, como Catar, Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes, aumentando a tensão em todo o Oriente Médio.

Trump: 'Fúria épica' contra programa nuclear

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou em pronunciamento nas redes sociais que o objetivo do ataque é destruir o programa nuclear iraniano e proteger o povo americano de ameaças. Militares dos EUA afirmam que a operação, batizada de "fúria épica" pelo Pentágono, pode durar dias.

"Garantiremos que os representantes terroristas do regime não possam mais desestabilizar a região ou o mundo, e que o Irã não obtenha uma arma nuclear. Este regime aprenderá em breve que ninguém deve desafiar a força e o poder das forças armadas dos Estados Unidos", declarou Trump.

O presidente americano incentivou a população iraniana a pressionar pela queda do regime dos aiatolás e instou os militares do país a se renderem, sob pena de "enfrentar a morte certa".

Netanyahu fala em 'eliminar ameaça existencial'

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou que a operação conjunta tem como objetivo "eliminar a ameaça existencial representada pelo regime terrorista no Irã". Segundo ele, a ação "criará condições para que o povo iraniano tome as responsabilidades do seu destino".

Negociações fracassaram na véspera

O ataque ocorre um dia depois de uma reunião entre representantes dos EUA e do Irã em Genebra, na Suíça, para discutir o programa nuclear iraniano. Os enviados americanos avaliaram as conversas como positivas e chegaram a agendar um novo encontro para a próxima segunda-feira (2).

Os EUA exigem que o Irã interrompa o enriquecimento de urânio, por temerem que o país desenvolva uma bomba nuclear. O governo iraniano insiste que seu programa tem fins pacíficos, voltados à produção de energia. Washington também pressiona por restrições ao programa de mísseis balísticos iranianos e ao apoio do país a grupos armados no Oriente Médio.

Nos últimos dias, o Irã havia sinalizado que poderia limitar seu programa nuclear e reduzir o nível de enriquecimento de urânio em troca do fim das sanções econômicas. Ao mesmo tempo, prometeu uma resposta "feroz" a qualquer ataque dos EUA, inclusive contra bases militares americanas na região.

Presença militar ampliada

Nas últimas semanas, os Estados Unidos reforçaram sua presença militar no Oriente Médio com o envio dos porta-aviões USS Abraham Lincoln e USS Gerald R. Ford, que se somaram a navios de guerra e às bases já existentes na região. Ao todo, os EUA controlam pelo menos 10 bases em países vizinhos ao Irã e mantêm tropas em outras nove.

O Irã, por sua vez, realizou exercícios militares conjuntos com Rússia e China e fortificou suas instalações nucleares, segundo imagens de satélite.

Crise econômica e protestos internos

O Irã enfrenta uma grave crise econômica, agravada pelas sanções internacionais. O rial, moeda local, perdeu cerca de metade de seu valor em 2025, e a inflação anual supera os 40%. No fim do ano passado, o presidente do Banco Central iraniano renunciou em meio a uma rápida desvalorização cambial.

A pressão americana se intensificou após uma onda de protestos contra o regime no início do ano, duramente reprimidos pelo governo. Trump havia ameaçado uma ação militar caso a "matança" continuasse. Nos últimos dias, novos protestos de estudantes foram registrados, e Teerã voltou a advertir os manifestantes.

Disputa histórica

As tensões entre Irã e EUA se arrastam desde a Revolução Islâmica de 1979, que implantou o regime dos aiatolás. Em 2015, um acordo internacional limitou o programa nuclear iraniano em troca do alívio de sanções. Três anos depois, Trump retirou os EUA do tratado e reimpôs sanções.

Em 2020, os dois países quase entraram em guerra após os EUA matarem o general Qassem Soleimani, principal figura militar do Irã. Em junho de 2025, nova operação americana bombardeou instalações nucleares iranianas em apoio a Israel, resultando em um contra-ataque limitado e um cessar-fogo.

Leia também