31 de julho de 2025
nacional

Fornecedor do Nordeste com vínculos ao PCC, "Chocô" ostentava luxo em SP enquanto abastecia Paraíba com drogas

Jamilton Alves Franco foi preso em condomínio de Hortolândia com Rolex, joias personalizadas e Land Rover; operação bloqueia R$ 104 milhões

Por Redação
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Jamilton Alves Franco foi preso em condomínio de Hortolândia com Rolex, joias personalizadas e Land Rover; operação bloqueia R$ 104 milhões - Foto: Reprodução/G1

Apontado pela Polícia Civil como um dos maiores fornecedores de drogas para a Paraíba, Jamilton Alves Franco, conhecido como "Chocô", preso na manhã desta quinta-feira (26), estabeleceu vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC) durante passagens que teve no sistema prisional paulista. Natural de Cajazeiras (PB), Chocô mudou-se para São Paulo quando era jovem e construiu uma rede de contatos no crime que o permitiu controlar o envio de grandes carregamentos de cocaína ao Nordeste.

De acordo com a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Jamilton comanda esse esquema há pelo menos 10 anos. "Aproveitando-se desta rede de contatos, consolidou-se como o maior fornecedor de entorpecentes para o estado da Paraíba e regiões limítrofes dos estados de Pernambuco e Ceará", informou a Polícia Civil da Paraíba. O g1 não conseguiu confirmar em qual unidade prisional Jamilton esteve preso, nem por quanto tempo permaneceu no sistema penitenciário de São Paulo.

Segundo o delegado Diego Beltrão, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, o traficante adquiria a droga no Paraguai e na Bolívia, trazia para o estado de São Paulo pelo Aeroporto de Guarulhos e distribuía através de carretas que também transportavam cargas lícitas em meio aos entorpecentes. Ao se integrar a essa engrenagem de poder, Chocô obteve a logística necessária para se tornar o ponto central estratégico de distribuição de cocaína e maconha para a Paraíba e regiões de Pernambuco e do Ceará.

Ele foi preso em uma casa de luxo em Hortolândia durante a Operação Argos, que mirava a organização criminosa que chefiava, dedicada ao tráfico interestadual de drogas e à lavagem de dinheiro em escala industrial. De acordo com o Ministério Público, Chocô obteve rápida ascensão financeira, exibindo um estilo de vida de ostentação, com viagens luxuosas, veículos esportivos de alto padrão e uma rede de imóveis de luxo.

No interior da casa, durante a operação, os policiais encontraram joias, incluindo um relógio Rolex, anéis e correntes com as iniciais do preso entre os itens pessoais. As imagens também mostram o hall de entrada com um grande lustre e uma Land Rover Evoque 2023 na garagem. Os itens foram apreendidos, assim como valores em dinheiro localizados na mansão.

Organização nacional

A apuração identificou que o grupo criminoso tinha estrutura hierarquizada dividida em três frentes: o Núcleo Gerencial em São Paulo, responsável por decisões logísticas e financeiras; o Núcleo Operacional da Paraíba, com células regionais em João Pessoa, Campina Grande, Patos, Pombal, Sousa e Cajazeiras; e o sistema de lavagem de dinheiro, com o uso do núcleo familiar de "Chocô", "laranjas", empresas de fachada e contas fantasma para ocultar e integrar o capital ilícito à economia formal.

A Operação Argos cumpre 44 mandados de prisão preventiva e 45 mandados de busca e apreensão em 13 cidades de quatro estados: Paraíba, São Paulo, Bahia e Mato Grosso. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 104.881.124,34, o sequestro de 13 imóveis de alto padrão e a apreensão de 40 veículos, incluindo carros de luxo usados pelo grupo criminoso comandado por "Chocô".

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