Fornecedor do Nordeste com vínculos ao PCC, "Chocô" ostentava luxo em SP enquanto abastecia Paraíba com drogas
Jamilton Alves Franco foi preso em condomínio de Hortolândia com Rolex, joias personalizadas e Land Rover; operação bloqueia R$ 104 milhões
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Apontado pela Polícia Civil como um dos maiores fornecedores de drogas para a Paraíba, Jamilton Alves Franco, conhecido como "Chocô", preso na manhã desta quinta-feira (26), estabeleceu vínculos com o Primeiro Comando da Capital (PCC) durante passagens que teve no sistema prisional paulista. Natural de Cajazeiras (PB), Chocô mudou-se para São Paulo quando era jovem e construiu uma rede de contatos no crime que o permitiu controlar o envio de grandes carregamentos de cocaína ao Nordeste.
De acordo com a Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), Jamilton comanda esse esquema há pelo menos 10 anos. "Aproveitando-se desta rede de contatos, consolidou-se como o maior fornecedor de entorpecentes para o estado da Paraíba e regiões limítrofes dos estados de Pernambuco e Ceará", informou a Polícia Civil da Paraíba. O g1 não conseguiu confirmar em qual unidade prisional Jamilton esteve preso, nem por quanto tempo permaneceu no sistema penitenciário de São Paulo.
Segundo o delegado Diego Beltrão, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado, o traficante adquiria a droga no Paraguai e na Bolívia, trazia para o estado de São Paulo pelo Aeroporto de Guarulhos e distribuía através de carretas que também transportavam cargas lícitas em meio aos entorpecentes. Ao se integrar a essa engrenagem de poder, Chocô obteve a logística necessária para se tornar o ponto central estratégico de distribuição de cocaína e maconha para a Paraíba e regiões de Pernambuco e do Ceará.
Ele foi preso em uma casa de luxo em Hortolândia durante a Operação Argos, que mirava a organização criminosa que chefiava, dedicada ao tráfico interestadual de drogas e à lavagem de dinheiro em escala industrial. De acordo com o Ministério Público, Chocô obteve rápida ascensão financeira, exibindo um estilo de vida de ostentação, com viagens luxuosas, veículos esportivos de alto padrão e uma rede de imóveis de luxo.
No interior da casa, durante a operação, os policiais encontraram joias, incluindo um relógio Rolex, anéis e correntes com as iniciais do preso entre os itens pessoais. As imagens também mostram o hall de entrada com um grande lustre e uma Land Rover Evoque 2023 na garagem. Os itens foram apreendidos, assim como valores em dinheiro localizados na mansão.
Organização nacional
A apuração identificou que o grupo criminoso tinha estrutura hierarquizada dividida em três frentes: o Núcleo Gerencial em São Paulo, responsável por decisões logísticas e financeiras; o Núcleo Operacional da Paraíba, com células regionais em João Pessoa, Campina Grande, Patos, Pombal, Sousa e Cajazeiras; e o sistema de lavagem de dinheiro, com o uso do núcleo familiar de "Chocô", "laranjas", empresas de fachada e contas fantasma para ocultar e integrar o capital ilícito à economia formal.
A Operação Argos cumpre 44 mandados de prisão preventiva e 45 mandados de busca e apreensão em 13 cidades de quatro estados: Paraíba, São Paulo, Bahia e Mato Grosso. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 104.881.124,34, o sequestro de 13 imóveis de alto padrão e a apreensão de 40 veículos, incluindo carros de luxo usados pelo grupo criminoso comandado por "Chocô".