Poluição do ar ultrapassa limites recomendados em todo o Brasil, aponta relatório
Levantamento do Ministério do Meio Ambiente mostra que maioria dos poluentes ficou acima dos padrões definidos pelo Conama
Publicado em
A concentração de poluentes atmosféricos ultrapassou com frequência os limites recomendados para a qualidade do ar em todo o Brasil, segundo o Relatório Anual de Acompanhamento da Qualidade do Ar 2025, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). O levantamento reúne dados coletados ao longo de 2024 em estações de monitoramento distribuídas pelo país.
Pela primeira vez, o documento considera os padrões estabelecidos em resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) publicada em 2024, que atualizou os limites nacionais e definiu etapas de transição até a adoção dos parâmetros recomendados pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
A análise inclui indicadores como ozônio, monóxido de carbono, dióxido de nitrogênio, dióxido de enxofre e diferentes tipos de material particulado. Entre as substâncias avaliadas, apenas o monóxido de carbono e o dióxido de nitrogênio permaneceram, na maior parte do tempo, dentro dos limites intermediários definidos pela regulamentação, com ultrapassagens pontuais.
As demais substâncias monitoradas registraram níveis acima dos padrões intermediários previstos na norma. Segundo o relatório, a maioria dos poluentes foi avaliada com base no padrão intermediário 2, em vigor desde janeiro.
O gerente de natureza do Instituto Alana e ex-conselheiro do Conama, JP Amaral, afirmou que os limites atuais refletem parâmetros próximos aos já atendidos pelos estados.
“A maioria dos poluentes foi avaliada de acordo com o padrão intermediário 2, que ficou valendo a partir de janeiro deste ano, e ele é estabelecido como um padrão dentro do que os estados já estavam atendendo basicamente”, disse.
Tendências observadas
Os dados indicam tendência de aumento em diferentes poluentes. A concentração de ozônio apresentou crescimento médio de até 11% das medições em 2024, com registros mais elevados em Minas Gerais e também em estações do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia.
O monóxido de carbono apresentou aumento de até 17%, com registros no Rio Grande do Sul e também em localidades do Rio de Janeiro e Pernambuco. Já o dióxido de nitrogênio registrou crescimento de até 22% em estações do Rio de Janeiro, com tendência semelhante em São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia.
O dióxido de enxofre teve aumento de até 16% em estações do Espírito Santo, além de registros de crescimento no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.
O material particulado fino apresentou tendência de redução de até 8,4% em estações de São Paulo. Já o material particulado inalável registrou aumento de até 8% em uma estação localizada em Minas Gerais.
O relatório aponta a necessidade de fortalecimento dos planos estaduais de gestão da qualidade do ar, com medidas de controle de emissões e ampliação do monitoramento.
Monitoramento
O documento também reúne dados sobre a rede nacional de monitoramento da qualidade do ar, que conta atualmente com 570 estações. O número representa aumento de 19% em relação a 2023 e de 44% na comparação com 2022.
Apesar da ampliação, o relatório identifica limitações no envio de informações pelos estados ao Sistema Nacional de Gestão da Qualidade do Ar (MonitorAr). Entre as estações cadastradas, 21 não tiveram o status informado e outras 75 aparecem como inativas.
Segundo o relatório, inconsistências no envio de dados podem ter influenciado comparações com anos anteriores, já que variações nem sempre indicam instalação ou desativação de estações.
Para JP Amaral, o levantamento representa avanço na organização das informações sobre qualidade do ar no país, após a criação da Política Nacional de Qualidade do Ar em 2024. Ele defendeu a atualização de programas e a definição de parâmetros para níveis críticos de poluição, além de planos de contingência para episódios extremos.