Censo Escolar 2025: Brasil atinge maior percentual de alunos em tempo integral e bate meta do PNE
Dados do Inep mostram avanço de 10,7 pontos percentuais na rede pública desde 2021; educação profissional tem maior número da história, com 3,1 milhões de matrículas
Publicado em
A educação brasileira conquistou avanços significativos em 2025, com o maior percentual de estudantes em tempo integral em todas as etapas da educação básica dos últimos quatro anos. O dado é do Censo Escolar, realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e divulgado nesta quinta-feira (26). A pesquisa contabiliza 46 milhões de matrículas nas 178,8 mil escolas de educação básica do país.
O percentual de matrículas presenciais em tempo integral na rede pública de ensino cresceu 10,7 pontos percentuais entre 2021 e 2025, passando de 15,1% para 25,8% . Com esse resultado, o Brasil atingiu a Meta 6 do Plano Nacional de Educação (PNE) 2014-2024, que previa atender pelo menos 25% dos alunos da educação básica da rede pública em tempo integral. No ensino médio, o aumento também foi expressivo, saltando de 16,7% em 2022 para 26,8% em 2025.
Os dados refletem o investimento de R$ 4 bilhões do Governo Federal, por meio do Ministério da Educação, no Programa Escola em Tempo Integral. Criada em 2023, a iniciativa apoia redes de ensino na expansão de matrículas com carga horária igual ou superior a 7 horas diárias ou 35 horas semanais.
A educação infantil alcançou o maior patamar de crianças de 0 a 3 anos com acesso à creche: 41,8% , aproximando-se da meta de 50% do PNE. A etapa faz parte dos investimentos do Novo PAC, que prevê R$ 7,37 bilhões para a construção de 1.670 novas creches. Só em 2025, foram criadas 48,5 mil novas vagas em creches e pré-escolas com apoio do governo federal.
O ensino fundamental é a maior etapa da educação básica, com 25,8 milhões de matrículas. Os dados do Censo mostram consonância com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) , que estimou que o percentual da população de 6 a 14 anos que frequenta a escola chegou a 99,5% em 2025 . Nas faixas de 6 a 10 anos e de 11 a 14 anos, o atendimento é de 99,6% e 99,4%, respectivamente.
A taxa de distorção idade-série na rede pública também apresentou redução. No ensino fundamental, o atraso escolar caiu de 15,6% (2021) para 11,3% (2025) . No ensino médio, a queda foi ainda mais expressiva: de 27,9% para 17,6% no mesmo período. No 3º ano do ensino médio, a distorção despencou de 27,2% em 2021 para 14% em 2025.
O Censo também aponta que, em todas as etapas, o atraso escolar entre alunos que se declaram pretos ou pardos é maior do que entre os que se declaram brancos.
Desde 2023, os estudantes do ensino médio público inscritos no CadÚnico podem contar com o programa Pé-de-Meia, que oferece incentivo financeiro-educacional para promover a permanência e a conclusão escolar. A iniciativa já beneficiou mais de 5,6 milhões de estudantes, com investimento de R$ 16,2 bilhões.
O percentual de escolas com acesso à internet na educação básica passou de 82,8% (2021) para 94,5% (2025) . Por meio da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (Enec) , o governo federal investiu R$ 3 bilhões entre 2023 e 2025, elevando de 45% para 70% o índice de escolas com conectividade adequada para fins pedagógicos.
A educação profissional e tecnológica (EPT) atingiu 3,1 milhões de matrículas em cursos técnicos em 2025, o maior número da história. O percentual de estudantes do ensino médio da rede pública matriculados na modalidade saltou de 11,5% (2021) para 20,1% (2025).
O Programa Juros por Educação, criado em 2025, deve ampliar ainda mais a oferta de vagas em cursos técnicos, integrando o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag).
A educação especial registrou 2,5 milhões de matrículas em 2025 – um aumento de 82% em relação a 2021. O Brasil alcançou o índice de 49,7% de estudantes com atendimento educacional especializado, o maior percentual da história e o maior aumento da série histórica, aproximando-se da Meta 4C do PNE.
A obrigatoriedade da informação de cor/raça nos registros administrativos, estabelecida em 2018 pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), contribuiu para reduzir o percentual de dados "não declarados" de 25,5% (2023) para 13,6% (2025) , ampliando a precisão das informações.
O Censo Escolar é a principal pesquisa estatística da educação básica brasileira. Seus dados são utilizados para formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas, cálculo do Ideb, e repasse de recursos de programas federais como o Fundeb.