Tragédia em Minas: número de mortos sobe para 53 e novas chuvas mantêm estado de alerta na Zona da Mata
Juiz de Fora contabiliza 47 vítimas fatais e 13 desaparecidos; Rio Paraibuna atinge 4 metros e Exército mobiliza 100 militares para auxiliar nas buscas e na assistência às vítimas
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A tragédia causada pelas fortes chuvas na Zona da Mata mineira se agravou nas últimas horas. De acordo com novo balanço do Corpo de Bombeiros divulgado na manhã desta quinta-feira (26), o número de mortos subiu para 53, sendo 47 em Juiz de Fora e seis em Ubá. Ainda há 13 desaparecidos em Juiz de Fora e dois em Ubá.
Entre a noite de quarta (25) e a madrugada desta quinta, a região voltou a ser atingida por chuva intensa. Em apenas uma hora, Juiz de Fora registrou 114 milímetros de precipitação. Os bombeiros receberam cerca de 30 chamados de socorro e atenderam 18 ocorrências, incluindo resgates de pessoas ilhadas. Pelo menos 12 pessoas foram retiradas com vida de oito casas que desabaram durante a madrugada.
O Rio Paraibuna chegou a quatro metros de altura durante o temporal. A prefeitura classificou a situação como crítica e orientou que a população evite transitar por vias que margeiam o rio. No bairro Três Moinhos, bombeiros e Guarda Civil realizam a retirada preventiva de moradores após o deslizamento de uma encosta.
Os novos temporais provocaram o desabamento de uma edificação no bairro Guaruá e um deslizamento de terra no bairro Três Moinhos, onde três casas foram derrubadas. O Córrego de Santa Luzia saiu da calha, e um ônibus ficou preso em alagamento na rua Octavio Malvaccini, com todos os passageiros resgatados sem ferimentos.
Juiz de Fora enfrenta o fevereiro mais chuvoso de sua história, com mais de 730 milímetros acumulados até o momento — mais de quatro vezes o volume esperado para o mês, de 170 milímetros. A cidade tem a nona maior população do Brasil vivendo em áreas de risco: dos 540 mil habitantes, cerca de 130 mil estão suscetíveis a deslizamentos, inundações e enxurradas, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Diante da gravidade da situação, dez caminhões do Exército Brasileiro, com cerca de 100 militares, devem chegar a Juiz de Fora ainda nesta quinta-feira para auxiliar nas ações de resposta e apoio às comunidades afetadas.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) manifestou solidariedade às vítimas e reforçou que a ferramenta Defesa Civil Alerta segue plenamente operacional. O sistema utiliza tecnologia Cell Broadcast para enviar alertas emergenciais a celulares conectados às redes 4G e 5G nas áreas de risco, sem necessidade de cadastro prévio. Sete fiscais já estão na região mais afetada e, se as circunstâncias permitirem, usarão analisadores de espectro para localizar celulares de possíveis vítimas soterradas, além de drones com câmeras térmicas para otimizar o socorro.
O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém alerta vermelho de "grande perigo" para chuvas intensas na região nesta quinta-feira, com possibilidade de precipitação superior a 60 mm por hora ou mais de 100 mm em 24 horas. O risco de alagamentos, deslizamentos e transbordamentos de rios continua elevado devido ao solo já encharcado.
Segundo a Defesa Civil estadual, a passagem de uma frente fria mantém o cenário de instabilidade em toda a região. Os acumulados de chuva devem variar entre 40 e 60 milímetros na Zona da Mata mineira, na região metropolitana de Belo Horizonte, no Centro, Norte e Noroeste do estado. Há risco de pancadas fortes com raios, trovoadas, rajadas de vento de até 80 km/h e granizo isolado. As temperaturas máximas ficam entre 25°C e 28°C.
A Defesa Civil Municipal emitiu alerta máximo e orienta que moradores de áreas vulneráveis deixem suas casas e busquem locais seguros. Em caso de emergência, a população deve acionar imediatamente a Defesa Civil (199) ou o Corpo de Bombeiros (193).