AC/DC faz 70 mil fãs sacudirem o MorumBIS em show histórico 17 anos depois
Banda australiana volta ao Brasil com Angus Young de uniforme verde e amarelo e Brian Johnson aos 78 anos mantendo a potência vocal
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O estádio do MorumBIS tremeu na noite desta terça-feira (24). Não foi terremoto, não foi jogo de futebol. Foram os 70 mil fãs que lotaram cada centímetro do estádio para ver o retorno do AC/DC ao Brasil após 17 anos de espera . E o que se viu foi uma banda que, mesmo sem dois de seus membros originais, continua sendo a máquina de fazer rock que conquistou o mundo há cinco décadas.
A turnê "Power Up", que dá nome ao álbum lançado em 2020, finalmente desembarcou em terras brasileiras. E o público correspondeu à altura: ingressos esgotados, filas gigantes e uma energia que só o rock pesado é capaz de proporcionar. Este foi o primeiro de três shows em São Paulo – ainda tem apresentações no sábado (28) e no dia 4 de março.
Quando os primeiros acordes de "If You Want Blood (You've Got It)" ecoaram pelo estádio, ficou claro que o tempo não passou para o AC/DC. A faixa, que abre o lendário álbum "Highway to Hell" (1979), deu o tom da noite: peso, atitude e a certeza de que o rock ainda respira.
Na sequência, o grupo emendou clássicos como "Back in Black", "Demon Fire" e "Shot Down in Flames", sem dar trégua ao público. O repertório foi uma verdadeira viagem no tempo, passando por cinco décadas de estrada:
- "Highway to Hell" (1979)
- "T.N.T." (1975)
- "You Shook Me All Night Long" (1980)
- "Shoot to Thrill" (1980)
- "Hells Bells" (1980)
- "Sin City" (1978)
- "Dirty Deeds Done Dirt Cheap" (1976)
- "Thunderstruck" (1990)
Para fechar com chave de ouro, os tradicionais canhões apontados para o alto e a apoteótica "For Those About to Rock (We Salute You)" , a ode ao rock que encerra os shows da banda desde 1981.
A formação atual do AC/DC traz dois remanescentes da época de ouro: o guitarrista Angus Young, de 70 anos, e o vocalista Brian Johnson, de 78. Angus, como não poderia deixar de ser, entrou no palco com seu icônico uniforme escolar – mas com um toque brasileiro: as roupas vieram nas cores verde e amarelo, arrancando gritos da plateia.
Apesar da idade, Angus mostrou que a energia não diminuiu. Correu de um lado para o outro, fez seus tradicionais passos de "patinho" e interagiu com o público o tempo todo. "Os dedos podem não ser tão ágeis quanto antes, mas a presença de palco continua impecável", resumiu um fã após o show.
Brian Johnson, por sua vez, provou que a voz rouca e potente que marcou gerações segue intacta. Aos 78 anos, o vocalista é o integrante mais velho da banda, mas entrega cada nota com a mesma energia de quando gravou "Back in Black" há 46 anos.
Completam o quinteto Stevie Young (guitarra base) – sobrinho de Angus e Malcolm, que assumiu o posto do tio após seu afastamento -, Chris Chaney (baixo) e Matt Laug (bateria).
Este retorno ao Brasil tem um gosto agridoce para os fãs. É a primeira vez que o AC/DC se apresenta por aqui desde a morte do guitarrista Malcolm Young, falecido em 2017 após uma longa batalha contra o mal de Alzheimer e demência. Malcolm foi o fundador da banda ao lado do irmão Angus e o cérebro por trás dos riffs que definiram o som do grupo.
Sua ausência no palco é sentida, mas Stevie Young, que já substituía o tio desde 2014, mantém vivo o legado. A formação original já não existe desde o álbum "Black Ice" (2008), mas o espírito do AC/DC permanece.
Quem esteve no MorumBIS viu um espetáculo à parte na plateia. Dos fãs mais jovens, que descobriram a banda nos streamings, aos cinquentões que acompanham o grupo desde os anos 70, todos cantaram junto cada música.
"Esperei 17 anos por isso. Hoje realizo um sonho", disse o administrador Carlos Mendes, de 53 anos, que veio do Rio de Janeiro especialmente para o show. "O AC/DC é a trilha sonora da minha vida. Ver o Angus de uniforme verde e amarelo foi emocionante."
A venda de ingressos, que esgotou rapidamente, refletiu a ansiedade do público brasileiro. Os valores variavam de R$ 195 (meia-entrada para cadeira superior) a R$ 1.200 (pista premium), mas nada disso impediu os fãs de garantirem seu lugar.
A passagem do AC/DC pelo Brasil faz parte da turnê sul-americana da banda, que também passou por Buenos Aires na última semana. Os shows em São Paulo são os únicos no país, o que aumentou ainda mais a procura por ingressos.
Além da apresentação desta terça, o grupo ainda fará mais duas: no Sábado, 28 de fevereiro e na quarta, 4 de março, no MorumBIS, São Paulo.