Mortos e desaparecidos: o que se sabe sobre a chuva que devastou Minas Gerais
Temporais deixam 23 mortos e 47 desaparecidos; Juiz de Fora e Ubá concentram maiores danos na Zona da Mata
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As fortes chuvas que atingiram Minas Gerais nesta terça-feira (23) deixaram, até a última atualização, 23 mortos e 47 desaparecidos, segundo o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. As cidades mais afetadas são Juiz de Fora e Ubá, ambas na Zona da Mata, onde os temporais provocaram enchentes, deslizamentos de terra e destruição em diversos bairros.
Somente em Juiz de Fora foram registradas 16 mortes relacionadas às ocorrências causadas pela chuva. Já em Ubá, município vizinho, sete pessoas perderam a vida. As duas cidades também contabilizam centenas de famílias desabrigadas e desalojadas. Durante a madrugada, 13 pessoas foram resgatadas com vida dos escombros.
Imagens feitas por moradores mostram casas desabando, carros ilhados e enxurradas arrastando objetos. Em Juiz de Fora, a Defesa Civil informou que pelo menos 440 pessoas estão desabrigadas em diferentes bairros.
Em Ubá, o rio que corta o município atingiu o nível histórico de 7,82 metros, configurando uma das maiores inundações já registradas na cidade. Equipes dos bombeiros seguem atuando nas duas localidades, tanto no socorro às vítimas quanto nas buscas por desaparecidos.
De acordo com a Defesa Civil de Ubá, choveu cerca de 170 milímetros em apenas três horas, volume considerado extremo. O município instaurou plano de contingência e montou uma sala de crise para coordenar as ações emergenciais, com foco no atendimento às vítimas e na resposta a ocorrências de desabamentos, enxurradas e alagamentos.
Em Juiz de Fora, a prefeitura decretou estado de calamidade pública após o acumulado de 584 milímetros de chuva, tornando fevereiro de 2026 o mês mais chuvoso da história do município.
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, afirmou que acompanha de perto a situação e anunciou luto oficial de três dias no estado. O vice-governador e o coordenador estadual da Defesa Civil também sobrevoaram a região para monitorar os danos.
Diante da gravidade do cenário, o Instituto Nacional de Meteorologia emitiu alerta vermelho — o nível máximo de severidade — para acumulado de chuva em áreas do Sudeste até a próxima sexta-feira (27). O aviso indica “grande perigo”, com previsão de volumes superiores a 60 milímetros por hora ou 100 milímetros por dia.
O alerta abrange regiões de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e São Paulo. Em território mineiro, estão sob risco a Zona da Mata, Vale do Rio Doce, Oeste, Sul e Sudoeste do estado, Campo das Vertentes, Vale do Mucuri e a Região Metropolitana de Belo Horizonte.
As autoridades reforçam a orientação para que moradores de áreas de risco busquem abrigo seguro e sigam as recomendações da Defesa Civil.