31 de julho de 2025
RIO DE JANEIRO

Temporal deixa idosa morta e mais de 600 desalojados em São João de Meriti

Morador desabafa após perder móveis novamente; cidade entrou em alerta máximo após forte chuva

Por Redação
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Em Venda Velha, bairro de São João de Meriti, sofreram com as chuvas dessa segunda-feira. - Foto: Débora Xavier / Arquivo pessoal

As fortes chuvas que atingiram São João de Meriti, na Baixada Fluminense, deixaram uma idosa morta e pelo menos 600 pessoas desalojadas. O município entrou no estágio 5 de alerta máximo — o nível mais alto em uma escala de cinco — após o temporal registrado nesta segunda-feira (23).

Em meio à destruição, um morador emocionado filmou os estragos dentro de casa e desabafou ao ver móveis e pertences da filha destruídos pela água. “Eu perdi tudo de novo, eu não aguento mais essa vida, essa situação”, lamentou.

A vítima fatal foi identificada como Waldite Pires Benites, de 85 anos. Ela morreu afogada após o muro da residência ceder e atingir o imóvel na Rua Piauí, no Morro do Carrapato, região central da cidade. Segundo o Corpo de Bombeiros do Estado do Rio de Janeiro, o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML) de Duque de Caxias. A idosa tinha dificuldades de locomoção.

As sirenes de alerta foram acionadas nos bairros Venda Velha, Travessa Itacaré e Coelho da Rocha. No bairro Venda Velha, o mais afetado, o acumulado de chuva chegou a 105,4 milímetros em 24 horas, segundo o Centro de Monitoramento e Operações da Defesa Civil.

Outros volumes registrados incluem:

  • Jardim Sumaré: 43,0 mm
  • Travessa Itacaré: 34,4 mm
  • São Mateus: 29,6 mm
  • Agostinho Porto: 15,8 mm
  • Jardim Metrópole: 5,8 mm
  • Coelho da Rocha: 4,8 mm

Moradores relataram ruas completamente alagadas, veículos submersos e casas tomadas pela água. Na Rua Anastácio Corrêa, imagens mostram ônibus e carros parados em meio à enchente.

“A gente tem uma cachoeira agora na Venda Velha. Toda vez que chove é isso. A população não merece isso”, afirmou a moradora Débora Xavier.

Outra moradora, Tânia, precisou ser resgatada após a água invadir completamente sua casa. “Eu perdi tudo. Não tem uma cadeira para sentar, o sofá foi submerso. A situação é caótica. Não tem como dormir nessa casa”, relatou. Segundo ela, em mais de 50 anos vivendo na região, nunca havia presenciado enchentes desse porte até o ano passado.

Moradores de Venda Velha atribuem parte dos alagamentos a obras realizadas pela empresa Prologis na região. A Prefeitura de São João de Meriti informou que ingressou com Ação Civil Pública contra a companhia, buscando obrigá-la a apresentar e executar solução definitiva para os impactos decorrentes da instalação do empreendimento no município.

A administração municipal informou ainda que ativou o protocolo do GRAC (Grupo de Resposta e Ações Coordenadas) em regime permanente de monitoramento. Equipes da Secretaria de Resiliência Urbana, Proteção e Defesa Civil seguem mobilizadas em toda a cidade.

Embora não chovesse na manhã desta terça-feira (24), há previsão de novas pancadas nas próximas horas, o que mantém moradores em alerta.

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