31 de julho de 2025
viralizou

VÍDEO: Pai que deu chicotadas em genro por agredir filha é absolvido em júri na Bahia

Em julgamento quase 10 anos após crime em Irecê, Luiz Carlos confessou agressões e disse que queria que genro sentisse "a dor que a filha sentia"

Por Redação
Publicado em
Imagens do júri popular, que absolveram réu acusado de agredir brutalmente o genro - Foto: Reprodução

Um julgamento realizado em novembro de 2025 em Irecê, no norte da Bahia, voltou a viralizar e levanta uma questão: até onde pode ir um pai ao descobrir que a filha é vítima de violência doméstica? Luiz Carlos da Silva, acusado de tentativa de homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado contra o genro Charles Barreto Durães, foi absolvido pelo júri popular quase dez anos após o crime. O caso, ocorrido em dezembro de 2015, ganhou novos contornos com a divulgação de vídeos da audiência, que mostram o réu confessando as agressões e justificando seus atos como uma defesa da honra e da integridade da filha.

Nas imagens, disponibilizadas pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), Luiz Carlos relata com detalhes o momento em que decidiu agir. Segundo ele, tudo começou quando ele e a esposa desconfiaram de que a filha estava sendo agredida pelo marido. A jovem passara a usar roupas longas, mesmo sob o calor intenso da região, o que levantou a suspeita de que escondia hematomas. A confirmação veio após uma briga durante as festividades de Natal, quando o genro agrediu a filha na frente de outros familiares. "Eu perguntei para ele: 'Você gosta de bater aonde na minha filha? É no rosto? Agora você vai sentir a dor que ela sentiu'", declarou Luiz Carlos no tribunal, justificando sua atitude como uma resposta direta às agressões sofridas pela jovem.

O réu confessou que convidou o genro para um passeio na zona rural de Irecê, onde o amarrou e o agrediu com tapas e chicotadas. Em seu depoimento, Luiz Carlos afirmou que a própria filha teria pedido para que ele tomasse uma atitude como forma de vingança. "Eu dei de oito a 12 chicotadas com a faca nas costas dele", declarou, acrescentando que, embora tivesse batido com força, não tinha a intenção de matar o genro. Após as agressões na propriedade rural, Charles foi levado para uma plantação e, em seguida, para a praça de um povoado, onde continuou apanhando diante de moradores locais. O sofrimento só terminou quando um tio de Luiz Carlos interveio para interromper as agressões.

A versão apresentada por Charles Durães, no entanto, difere significativamente. Durante o júri, o genro negou veementemente as acusações de violência doméstica. Ele admitiu que houve uma briga em que empurrou a esposa, mas afirmou que não costumava agredi-la fisicamente. Emocionado, Charles descreveu o momento da agressão como um verdadeiro pesadelo. "Quando chegou na roça, ele estava armado com uma faca e um revólver e me fez deitar no chão. Ele pisou no meu pescoço, pisou nas minhas costas, passou as minhas mãos para trás e me amarrou", relatou, com lágrimas nos olhos. Para ele, o castigo foi desproporcional e movido por uma acusação que ele garante não ser verdadeira.

Apesar da gravidade das acusações e da confissão do réu, o júri popular decidiu absolver Luiz Carlos dos crimes de tentativa de homicídio qualificado, sequestro e cárcere privado. A decisão, que pegou muitos de surpresa, foi tomada após os jurados considerarem que ele não teve a intenção de matar o genro, embora tenha agido com extrema violência. Ao ouvir o veredicto, Luiz Carlos caiu de joelhos no chão do fórum, emocionado, agradecendo pela absolvição.

Veja o vídeo: