Alagoas tem maior incidência de meningite do Nordeste e segunda maior do país
Dados do Ministério da Saúde apontam queda na cobertura vacinal e aumento de casos graves
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Alagoas lidera o ranking de incidência da doença meningocócica no Nordeste e ocupa a segunda posição no país, segundo dados recentes do Ministério da Saúde. O cenário, considerado preocupante por especialistas, está diretamente relacionado à queda progressiva da cobertura vacinal nos últimos anos. Em 2024, a primeira dose da vacina meningocócica C atingiu apenas 85,82% do público-alvo, e em 2025, 84,85% — abaixo dos 95% recomendados para garantir a proteção coletiva.
O alerta epidemiológico mais recente foi emitido após a confirmação de casos de meningite C em bairros de Maceió como Benedito Bentes, Jacarecica e Serraria, reacendendo a atenção para uma doença grave, de evolução rápida e potencialmente fatal em poucas horas. A meningite bacteriana, transmissível e prevenível por vacinação, é a que mais preocupa as autoridades.
A médica infectologista Mardjane Lemos explica que crianças e adolescentes são mais vulneráveis e que, em casos graves, a doença pode levar ao óbito entre 24 e 48 horas após os primeiros sintomas. Diante do aumento de registros, Maceió adotou estratégia de bloqueio vacinal em bairros com casos confirmados, imunizando pessoas em um raio de até 1 km para interromper a cadeia de transmissão.
Além da alta incidência, a letalidade acende outro alerta. Enquanto o Brasil registrou pico de 25,6% em 2023, Alagoas apresentou índice de 60% no mesmo período — mais que o dobro da média nacional. Os dados evidenciam maior gravidade dos casos no estado, que ocupa a segunda posição no ranking nacional da doença, atrás apenas do Pará — que, segundo especialistas, enfrenta desafios logísticos e territoriais que não se aplicam com a mesma intensidade em Alagoas.