31 de julho de 2025
SIGILO FISCAL

Ministros do STF veem agravamento de crise após operação autorizada por Alexandre de Moraes

Decisão que mirou servidores da Receita Federal gera desconforto interno e levanta debate sobre impacto institucional no Supremo Tribunal Federal

Por Redação
Publicado em
O ministro do Supremo, Alexandre de Moraes - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de autorizar uma operação da Polícia Federal para investigar acessos e supostos vazamentos de dados de ministros e familiares na Receita Federal provocou incômodo entre integrantes da própria Corte.

A operação, realizada na terça-feira (17), teve como alvo servidores da Receita suspeitos de consultar e repassar informações sigilosas de ministros do STF e de parentes, como a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes. A investigação busca esclarecer se houve motivação política ou financeira por trás dos acessos considerados indevidos.

Mesmo ministros considerados próximos a Moraes demonstraram desconforto com a condução do caso. Entre as críticas está a ausência de consulta prévia aos colegas antes da autorização das medidas. Para parte dos magistrados, a apuração não deveria ter sido aberta de ofício e a representação deveria ter sido encaminhada ao presidente da Corte, Edson Fachin, que estava de férias e era substituído por Moraes no período.

Internamente, há receio de que a postura considerada mais incisiva do ministro possa aprofundar a crise de credibilidade enfrentada pelo STF. Avalia-se que, embora eventuais crimes devam ser apurados e punidos, a decisão pode reforçar a percepção pública de que ministros estariam acionando mecanismos de autodefesa institucional.

Outro ponto de tensão é a conexão da investigação com o chamado inquérito das fake news, aberto em 2019 e ainda em andamento, frequentemente alvo de críticas dentro e fora do Supremo por sua duração e amplitude. Para alguns integrantes da Corte, a vinculação ao inquérito amplia o desgaste político e institucional.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou a adoção das medidas cautelares, e a Polícia Federal agora aprofunda a análise dos acessos e eventuais vazamentos. O desdobramento do caso pode influenciar não apenas a apuração criminal, mas também o ambiente interno do STF, que já enfrenta questionamentos sobre seus limites e atribuições.

Nos bastidores, ministros defendem que a apuração siga de forma técnica e transparente, a fim de evitar que o episódio amplie a crise institucional e afete ainda mais a imagem do Supremo Tribunal Federal perante a sociedade.

Leia também